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Jovem com a “pior dor do mundo” aceita ser sedada em UTI para tentar “reiniciar” o cérebro

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Carolina Arruda, de 28 anos, enfrenta há mais de uma década a neuralgia do trigêmeo, uma das condições mais dolorosas conhecidas pela medicina, que causa dores intensas e contínuas no rosto. Após anos de tratamentos sem sucesso, incluindo seis cirurgias e internações frequentes, ela se prepara agora para um novo e extremo procedimento: será sedada em ambiente de UTI para receber uma infusão de medicamentos com o objetivo de “reiniciar” as respostas do cérebro aos analgésicos.

A jovem, que ficou conhecida por relatar nas redes sociais a intensidade da dor que sente 24 horas por dia, chegou a considerar a eutanásia na Suíça em 2024, e ainda não descartou totalmente essa possibilidade. “Minha última esperança agora é ser colocada em coma induzido”, escreveu. No entanto, segundo o anestesiologista Carlos Marcelo de Barros, que lidera o tratamento, o procedimento não é exatamente um coma, mas uma sedação profunda necessária devido aos fortes efeitos colaterais dos medicamentos.

Carolina descreve sua dor como facadas e choques elétricos constantes, que a impedem de dormir e até de fazer planos simples, como uma viagem em família. Durante as crises, ela chega a vomitar e desmaiar. A condição é rara — menos de 0,3% da população mundial sofre com a neuralgia do trigêmeo, e o caso bilateral, como o dela, é ainda mais incomum.

Apesar da gravidade do quadro, Carolina recentemente concluiu a graduação em veterinária, mesmo com os frequentes atrasos causados pela doença. Ela também já tentou tratamentos experimentais, como o uso de bomba de morfina e dispositivos controlados por bluetooth, mas nenhum trouxe alívio duradouro.

A equipe médica segue esperançosa de que a nova abordagem possa ao menos reduzir a frequência e intensidade das crises. “A sensação é como ter um ferro de passar quente queimando o rosto o tempo todo”, explicou o médico. Para Carolina, qualquer chance de paz, mesmo que temporária, já representa um alívio.

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