
Incêndios florestais devoram bairros em Concepción e geram estado de emergência (Foto: Instagram)
Os incêndios que consumiram partes dos setores de Ñuble e Biobío, no Chile, deixaram ao menos 18 pessoas mortas e forçaram o presidente Gabriel Boric a decretar estado de emergência. A tragédia mobilizou equipes de resgate e preparou o terreno para a atuação das Forças Armadas, autorizadas a prestar apoio no combate às chamas. As autoridades também prestaram solidariedade às famílias das vítimas, ainda desamparadas diante da magnitude do desastre.
++ Renda passiva turbo: copie o sistema de IA que está fazendo gente comum lucrar
Desde o início das chamas, mais de 50 mil moradores foram retirados de suas casas nas províncias de Penco, Lirquén e em outras localidades do entorno de Concepción, a cerca de 500 km ao sul de Santiago. Segundo a BBC, fogo avançou por cerca de 8.500 hectares, queimando ao menos 300 residências e deixando mais de 24 focos ativos, de acordo com o serviço florestal Conaf. As operações têm envolvido brigadistas, equipes aéreas e bombeiros locais, todos mobilizados para evitar que as labaredas se alastrem ainda mais.
++ Fux assume ação que pode soltar Bolsonaro e Brasília entra em clima de guerra política
Em postagem no X, no domingo, 18 de janeiro, Boric afirmou que “todos os recursos estão disponíveis” e reiterou que o decreto de emergência visa garantir acesso rápido a meios militares e civis de combate e resgate. Durante entrevista em Concepción, ele disse que o primeiro objetivo é extinguir as chamas, mas ressaltou a urgência de amparar famílias que perderam bens e entes queridos. O presidente destacou ainda que o número de casas destruídas pode ultrapassar mil, somente em Biobío.
Os ventos fortes e o calor extremo agravam o cenário de crise. Com termômetros marcando 38 °C na região, equipes de bombeiros enfrentam dificuldade para controlar o avanço do fogo. Segundo o ministro do Interior, Álvaro Elizalde, “as condições meteorológicas para as próximas horas não são boas e indicam temperaturas extremas”, o que mantém o risco de novas frentes de incêndio. A previsão é de calor intenso até pelo menos segunda-feira.
Moradores de Penco relatam cenas de desolação. Carros, uma escola e uma igreja foram consumidos pelas chamas, e corpos carbonizados foram encontrados em vias e dentro de casas. “Muitos não evacuaram, acharam que o fogo pararia na borda da floresta. Mas ficou fora de controle”, disse John Guzmán, de 55 anos. Matias Cid, de 25, lembrou ao AFP que deixou o local com “apenas a roupa do corpo” e admitiu: “Se tivéssemos ficado mais 20 minutos, teríamos sido queimados vivos.”
Embora a prioridade seja o combate imediato às chamas, o episódio reacende o debate sobre prevenção e manejo de áreas florestais. Há dois anos, uma onda de incêndios em Valparaíso, na região metropolitana de Santiago, matou 120 pessoas e destruiu milhares de construções. Para analistas, a repetição de eventos desse porte reforça a necessidade de programas de reflorestamento, educação ambiental local e investimentos em tecnologia de alerta antecipado, de forma a reduzir o impacto humano e material em futuras emergências.

