
Gladys West em homenagem por seu legado científico. (Foto: Instagram)
A matemática Gladys West, responsável por criar as bases do Sistema de Posicionamento Global (GPS), morreu aos 95 anos, conforme anunciado por autoridades do Condado de Dinwiddie, na Virgínia. O comunicado divulgado em 20 de janeiro destacou o “legado extraordinário” de West como pilar das comunidades local e científica, ressaltando que seu talento e perseverança inspiraram gerações.
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Nascida Gladys Mae Brown em Dinwiddie County, Gladys West concluiu o ensino médio como primeira da turma e obteve o bacharelado em matemática, segundo o Library of Virginia. Antes de ingressar na carreira militar, deu aulas na rede de ensino público e, em 1955, conquistou o mestrado, fortalecendo sua formação acadêmica em tempos de segregação racial nos Estados Unidos.
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Em 1956, West foi contratada pelo Departamento de Defesa para atuar em programação e codificação no Naval Proving Ground, em Dahlgren, Va. Lá, tornou-se a segunda mulher negra e a quarta pessoa afro-americana a ingressar na equipe. Sua competência rendeu respeito dos colegas e conduziu projetos pioneiros ao longo de mais de quatro décadas de trabalho em pesquisas militares.
Entre suas principais contribuições, Gladys West compilou dados de satélites orbitais para criar algoritmos capazes de calcular com precisão elevações e distorções do formato da Terra. Essa metodologia foi essencial para viabilizar o GPS, ferramenta hoje amplamente usada em veículos, celulares e operações militares para determinar coordenadas geográficas em tempo real.
West também liderou o projeto Seasat, o primeiro satélite projetado para sensoriamento remoto dos oceanos, e participou de estudos que analisaram o movimento regular de Plutão em relação a Netuno, no início da década de 1960. Essas pesquisas expandiram o uso de satélites para monitoramento ambiental e exploração planetária, demonstrando sua versatilidade como cientista.
Ao se aposentar em 1998, Gladys West havia publicado diversos artigos e apresentado trabalhos em conferências de destaque. Em 2018, foi homenageada com sua entrada no United States Air Force Hall of Fame, reconhecimento tardio mas significativo de sua carreira. Segundo Britannica, ela integra o grupo das “figuras ocultas”, pessoas cujas contribuições científicas sofreram subestimação por conta de raça ou gênero.
O biógrafo Marvin Jackson, autor de It Began With a Dream, fez homenagem a Gladys West em sua conta no LinkedIn em 19 de janeiro. “Tornamo-nos grandes amigos e sua família virou a minha”, escreveu Jackson. “Se você ainda não conhece esta figura oculta, descubra sua incrível trajetória: uma estudiosa humilde, mãe dedicada e mulher que mudou o mundo.”

