
Amanda Watson e Bradley Whitmore trocam alianças em cerimônia sensorial em Toronto (Foto: Instagram)
Amanda Watson e Bradley Whitmore, ambos surdos, oficializaram sua união em uma cerimônia silenciosa e repleta de estímulos sensoriais que refletiu a forma única como experimentam o mundo. O enlace ocorreu em junho de 2025, em Toronto, e buscou valorizar a cultura e a vivência de pessoas surdas, sem recorrer a sons amplificados ou formatos tradicionais de festa. Amanda Watson, professora de escola básica, e Bradley Whitmore, que começou a lecionar como substituto em sua instituição, desejavam um evento que falasse diretamente à comunidade Deaf.
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Amanda Watson, 35, e Bradley Whitmore, 38, se conheceram quando ele chegou para cobrir aulas numa escola dedicada a estudantes surdos e com deficiência auditiva. Logo perceberam afinidades, trocando experiências sobre como transitar em ambientes pouco preparados para quem não ouve. Em conversas francas, comentavam sobre rotinas em que buscaram adaptar espaços que não contemplavam a língua de sinais nem recursos táteis. Após alguns meses de namoro, o casal ficou noivo no fim de 2023 e passou a planejar cada detalhe da festa para que não fosse apenas um rito de passagem, mas um manifesto de pertencimento.
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Desde o início, Amanda Watson e Bradley Whitmore sabiam que não queriam microfones, DJs ou discursos em formato auditivo. Para eles, o silêncio não se equipara ao vazio, mas sim ao movimento das mãos, às vibrações no solo e às expressões visuais. Foi pensando nessa experiência que escolheram realizar a cerimônia num galpão da Warehouse Event Venue, com piso de concreto, tetos altos e paredes minimalistas – condições perfeitas para transmitir luzes e ondas de vibração, em vez de música. Todos os elementos foram planejados para estimular o tato e a visão.
O layout do espaço foi organizado como em uma sala de aula sensorial: havia uma área de boas-vindas, um círculo central para a troca de votos e uma zona de recepção tátil. Amanda Watson trouxe sua experiência docente para criar luvas que acendiam ao serem batidas, centros de mesa programados para pulsar em sintonia com padrões de respiração em LED e painéis de projeção suave onde os votos eram exibidos em libras, junto a ilustrações poéticas. Bradley Whitmore complementou o design, pensando em ângulos de luz e superfícies que reverberassem pequenas vibrações.
Durante o momento do sim, o chão sob os pés dos noivos contava com sensores de luz e um padrão de baixa vibração, tornando perceptível a intensidade de cada passo e gesto. Para celebrar na pista de dança, os dois pisaram sobre placas vibratórias que criavam um ritmo próprio, abraçando a pulsação mecânica em vez dos beats convencionais. Ainda foram montadas esculturas-paredes que transmitiam vibrações, para que convidados pudessem aproximar as mãos e sentir a vibração quase sonora, estimulando a curiosidade de todos, surdos ou ouvintes.
O ponto alto para Bradley Whitmore foi o brinde: em vez de tilintar taças comuns, cada convidado recebeu um copo com água com gás e micro-bolhas comestíveis que estouravam delicadamente na língua, criando uma sensação lúdica semelhante ao champanhe. As bordas dos copos iluminavam-se com micro-LEDs, unindo luz e sabor num gesto coletivo. “Queríamos um casamento que você pudesse sentir e, sem perceber, tocou o coração de quem esteve lá. Surdos ou ouvintes, voltaram com uma compreensão maior de nossa cultura e de nossa forma de existir. Esse foi o presente inesperado”, concluiu Amanda Watson.

