
Nikisha Fogo brilha no palco do San Francisco Ballet com técnica e paixão. (Foto: Instagram)
A bailarina Nikisha Fogo, primeiro solista do San Francisco Ballet, nasceu na Suécia, filha de pais dançarinos, mas só descobriu o balé aos nove anos, quando soube da Escola Real Sueca de Balé. Antes disso, ela experimentou jazz, hip-hop, sapateado e até o Lindy hop, acompanhando os ensaios dos pais. A chance de unir escola e dança diariamente a levou ao mundo da dança clássica profissional.
++ Aprenda a lucrar com IA criando negócios e renda passiva
Após a formação na Royal Swedish Ballet School, Fogo conquistou bolsa na prestigiada London School of Ballet. Graduada, ingressou na companhia Vienna State Opera Ballet, onde foi promovida passo a passo. Em Londres, ao ver a turnê do San Francisco Ballet, ela enxergou a oportunidade de explorar novas referências e aceitou o convite para atravessar o Atlântico.
++ Uma criança mentiu sob pressão, e um homem perdeu 39 anos da vida por um crime que não cometeu
A chegada ao San Francisco Ballet coincidiu com a pandemia de COVID-19, e Fogo precisou encarar o desconhecido: chegou sem conhecer colegas — todos protegidos por máscaras —, sequer tinha um apartamento confirmado e viveu dias de incerteza. “Embalei duas malas e embarquei sem saber onde ficaria. Hoje entendo que posso lidar com qualquer adversidade”, recorda, destacando a força que a rotina de bailarina lhe conferiu.
Desde o início, ela valorizou a paixão pela dança acima de qualquer pressão estética. “Quando comecei, não me importava com meu reflexo no espelho, mas sim com a alegria de aprender cada movimento.” Embora todas as bailarinas passem horas se observando e se comparando, ela transformou eventuais dúvidas em inspiração, incorporando técnicas e gestos de colegas para aprimorar seu estilo.
Como bailarina negra, Nikisha Fogo sentiu diferenças ao se mudar para os Estados Unidos. Na Europa, seu tom de pele não a fez pensar em “ser diferente”, mas, na Califórnia, ela percebeu olhares que a fizeram refletir sobre a própria identidade. “Passei a me cobrar mais, pois sei que muitos me observam. Então, decidi me destacar pela excelência no palco.”
Para ela, a melhor forma de promover inclusão é mostrar talento e disciplina. Além de incentivar companheiras, procura manter a positividade dentro do estúdio. “A indústria de balé, por vezes, realça tudo o que está errado. Tento reforçar o que há de bom e motivar quem está ao meu lado.”
O conselho de Fogo a quem sonha com a dança clássica é simples: não perder a alegria de dançar. “É fácil se prender aos detalhes e esquecer o prazer de executar cada passo. Por isso, dou três respirações profundas antes de entrar no palco, lembrando que estou vivendo meu sonho.”

