
Trump sugere assumir “controle” de Cuba em discurso na Casa Branca (Foto: Instagram)
Em evento na Casa Branca, nesta segunda-feira (9/3), Trump afirmou que pode tomar o “controle” de Cuba de forma amigável ou não, acenando para a possibilidade de intervir na ilha caribenha conforme seus interesses estratégicos. A declaração foi feita diante de apoiadores que lotavam o Salão Leste, em mais um discurso de retomada de sua postura agressiva em relação a países considerados rivalidades dos Estados Unidos.
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O uso de aspas em torno de “controle” enfatiza o caráter amplo e até incerto do poder pretendido, que poderia variar de uma transição política negociada até medidas mais enérgicas, possivelmente envolvendo ação militar ou pressão econômica. Ao falar em tom desafiador, Trump deixou claro que descarta a neutralidade e condiciona qualquer abordagem a interesses diretos de Washington, sinalizando que não hesitaria em adotar ações duras caso considere necessário.
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O relacionamento entre os Estados Unidos e Cuba está marcado por décadas de tensão, iniciadas após a Revolução Cubana de 1959, quando Fidel Castro assumiu o poder e alinhou o país à União Soviética em plena Guerra Fria. Desde então, Washington manteve um embargo de longa duração, reforçado em diferentes graus por administrações republicanas e democratas. Entre 2015 e 2017, o governo do então presidente Barack Obama promoveu um processo de détente, reabrindo embaixadas e flexibilizando restrições, mas as sanções voltaram a ser endurecidas após 2017.
Durante sua gestão entre 2017 e 2021, Trump reviu parcialmente o avanço da administração anterior, restabelecendo limitações a viagens, aumentando sanções financeiras e aplicando o Título III da Lei Helms-Burton, que permite processar empresas que lucrem com propriedades nacionalizadas após a revolução. A postura atual reforça que o ex-presidente mantém a mesma linha em relação à ilha, muito embora se trate de um discurso retórico que mistura política externa com mobilização de sua base eleitoral.
Na esfera jurídica, o chamado “controle” alude a prerrogativas previstas em legislações como a Lei de Comércio com o Inimigo de 1917 e a Lei de Empréstimos e Garantias de 1941, que conferem ao presidente norte-americano poderes amplos em questões de segurança nacional. Além disso, a Doutrina Monroe, formulada em 1823, ainda ressoa na retórica de autoridades que veem o Caribe como parte do “quintal” geopolítico dos Estados Unidos, justificando intervenções sob o argumento de impedir influências externas indesejadas.
Analistas observam que, embora a retórica seja dura, a viabilidade prática de uma ação direta em Cuba esbarra em fatores como o apoio popular a Havana, a presença de aliados internacionais e o risco de condenação em fóruns multilaterais. Na Organização das Nações Unidas (ONU), a maioria dos países reprova o embargo norte-americano, enquanto especialistas em relações internacionais apontam para a complexidade de conduzir uma operação de anexação ou ocupação em pleno século XXI.
A fala de Trump na Casa Branca reacende o debate sobre futuras políticas de Washington em relação a Cuba e alvos similares de influência regional. Resta saber se ele seguirá apenas no plano retórico ou se apresentará medidas concretas nos próximos passos de sua carreira política, especialmente se retornar ao poder ou assumir posição de liderança em comitês de estratégia para o Partido Republicano.


