
Michael Patrick em momento descontraído durante tratamento contra ELA. (Foto: Instagram)
O ator e roteirista Michael Patrick, reconhecido por sua atuação na série Game of Thrones, faleceu aos 35 anos. Ele lutava contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa do sistema nervoso que provoca fraqueza muscular progressiva e diminui a expectativa de vida. Patrick, natural de Belfast e graduado pela Universidade de Cambridge, construiu uma carreira tanto na atuação quanto na escrita, sendo o criador da série dramática My Left Nut.
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O diagnóstico de Michael Patrick foi realizado em 2023. A mesma doença já afetou figuras como o físico Stephen Hawking e o jogador de rúgbi Rob Burrow. Os primeiros sintomas apareceram enquanto ele se apresentava no Dublin Fringe Festival.
Durante a peça, Michael começou a perder o equilíbrio frequentemente. Sobre essa fase, ele declarou à BBC: “Eu precisava dançar na peça e estava sempre caindo. Eu culpava os sapatos, pensando: por que me fizeram dançar com sapatos tão pesados? Mas depois disso, as coisas não melhoraram”.
O sintoma que Michael experimentou é conhecido como queda do pé, um sinal inicial comum da ELA, caracterizado por fraqueza ou arraste de um dos pés. Menos de um ano após o diagnóstico, Patrick já não conseguia ficar de pé. Mesmo com as limitações físicas, ele continuou sua carreira artística. Em 2024, recebeu um prêmio por sua atuação como Ricardo III em uma peça em Belfast, onde atuou em uma cadeira de rodas.
A decisão sobre o tratamento invasivo
Dois meses antes de falecer, Michael Patrick usou suas redes sociais para compartilhar uma atualização sobre sua condição de saúde. Ele informou que não seguiria com uma traqueostomia, uma cirurgia que o ajudaria a respirar. Apesar de ter arrecadado mais de 110 mil libras para o procedimento, ele optou por não realizá-lo após considerar as implicações na qualidade de vida e a logística hospitalar.
Em sua postagem, ele explicou: “Resumindo, não vou fazer a traqueostomia. Confirmei que levaria de 6 a 12 meses para voltar para casa, devido à falta de pessoal. Muito obrigado a todos que ajudaram, desde assistentes sociais a políticos e o diretor do hospital. Todos tentaram muito, mas simplesmente não há funcionários”.
Ele também expressou o desejo de não passar seus últimos momentos em um hospital. Michael escreveu: “Além disso, meu neurologista disse que provavelmente tenho cerca de um ano. Claro, ele não pode ter certeza e ainda temos esperança em um teste de medicamento para ganhar mais tempo. Então, não quero arriscar passar muito desse tempo em uma cama de hospital”.
O uso das doações e o tempo restante
Mesmo sem a cirurgia, Michael Patrick garantiu que as doações arrecadadas seriam usadas para cuidados especializados em seus últimos dias. Ele demonstrou gratidão pelo apoio recebido e manteve uma postura ativa, planejando aproveitar o tempo restante com pessoas próximas.
Em uma de suas últimas postagens, ele compartilhou uma foto com seu afilhado e comentou: “De qualquer forma, ainda há muito pelo que viver e muito planejado. Aqui está meu pequeno afilhado Micheál me visitando no hospital”.
Em janeiro, ele relatou uma leve melhora em sua condição devido a um novo medicamento experimental que o fez recuperar parte da sensibilidade nos pés. Na ocasião, ele disse: “Foi um grande alívio que a droga esteja fazendo algo. Provavelmente ainda vou morrer em breve, mas talvez eu consiga um ou dois anos extras”.
A Esclerose Lateral Amiotrófica se manifesta de várias formas nos estágios iniciais. Além da fraqueza nos membros, a associação que cuida de pacientes com essa condição lista sintomas como espasmos musculares, formigamento persistente, dormência, fala arrastada e dificuldades de deglutição. Mudanças emocionais e comportamentais também podem ocorrer à medida que a doença avança pelo sistema nervoso.
A despedida confirmada pela família
Michael Patrick faleceu no dia 7 de abril de 2026, após um breve período internado em um hospício na Irlanda do Norte. Sua esposa, Naomi, confirmou a notícia e descreveu os últimos momentos do marido. Ela afirmou: “Ontem à noite, Mick infelizmente faleceu no Northern Ireland Hospice. Ele foi internado há 10 dias e foi cuidado pela equipe incrível de lá. Ele partiu pacificamente, cercado pela família e amigos”.
Naomi descreveu o impacto de Michael na vida das pessoas ao seu redor, mencionando sua energia e risada contagiante. Ela escreveu: “Palavras não podem descrever o quão devastados estamos. Foi dito mais de uma vez que Mick foi uma inspiração para todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo, não apenas nos últimos anos durante sua doença, mas em todos os dias de sua vida. Ele viveu uma vida tão plena quanto qualquer ser humano pode viver”.
Amigos e colegas de profissão também prestaram homenagens públicas. O ator George Fouracres referiu-se a Michael como um dos maiores seres humanos com quem já compartilhou tempo. A trajetória de Patrick na televisão incluiu, além de Game of Thrones, papéis esporádicos em diversas produções britânicas, consolidando sua presença na indústria do entretenimento antes de focar intensamente na dramaturgia escrita.
Sintomas precoces e progressão da doença
A conscientização sobre os sinais da ELA é um dos temas que Michael abordou durante seu tratamento. A condição afeta os neurônios motores que controlam os movimentos musculares voluntários. Quando esses neurônios morrem, o cérebro perde a capacidade de iniciar e controlar o movimento dos músculos, o que leva à paralisia total em muitos casos.
Entre os sinais listados por especialistas estão o ato de tropeçar frequentemente e a perda de força nas mãos, o que faz com que os pacientes deixem objetos cair facilmente. Algumas pessoas notam que uma das pernas está ficando mais fina devido à atrofia muscular. A progressão varia de indivíduo para indivíduo, mas a falência respiratória costuma ser a causa principal de óbito, uma vez que os músculos do diafragma também são atingidos.
Michael Patrick optou por documentar sua jornada de forma aberta, expondo as dificuldades do sistema de saúde e as escolhas éticas pessoais sobre o prolongamento da vida por meios artificiais. Sua última postagem oficial nas redes sociais permaneceu como um registro de sua decisão de priorizar o conforto e o convívio familiar em detrimento de procedimentos médicos prolongados que o manteriam afastado de sua casa.


