
Papa Leão XIV acena do balcão da Basílica de São Pedro (Foto: Instagram)
O cenário diplomático entre o Vaticano e a Casa Branca atingiu um nível de tensão raramente visto na história moderna. O foco do conflito é o Papa Leão XIV, o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, que aparenta estar em desacordo direto com a administração de Donald Trump. Robert Francis Prevost, nome de batismo do Papa, nasceu em Chicago em 1955 e possui cidadania americana, peruana e vaticana. No entanto, sua origem não facilitou o diálogo com Washington.
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Relatos recentes indicam que o Papa Leão XIV pode não retornar aos Estados Unidos enquanto Trump estiver no poder. A crise se intensificou após um discurso anual do pontífice ao corpo diplomático do Vaticano em janeiro de 2026, onde ele criticou nações que fomentam conflitos globais. A resposta do Pentágono foi imediata e considerada sem precedentes, solicitando um encontro com o Cardeal Christophe Pierre, que era o enviado pessoal de Leão XIV nos Estados Unidos naquele momento.
Durante o encontro com o representante do Vaticano, autoridades do Pentágono expressaram descontentamento com as declarações de janeiro. Para o governo americano, as falas foram vistas como ataques diretos às políticas de Trump. O ponto de maior irritação foi o questionamento papal sobre a chamada Doutrina Donroe, uma releitura de Trump para a antiga Doutrina Monroe, que estabelece que os Estados Unidos devem ser os únicos controladores do Hemisfério Ocidental.
O Pentágono reagiu especificamente a um trecho onde o Papa afirmou que uma diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todas as partes está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força, seja por indivíduos ou por grupos de aliados. Um oficial do Vaticano relatou que os militares ficaram especialmente furiosos com essa interpretação. Em resposta aos desdobramentos dessa reunião, o Papa recusou formalmente o convite de Trump para participar das celebrações do 250º aniversário dos Estados Unidos.
A escolha do Papa para o feriado de 4 de julho é simbólica. Em vez de estar em Washington para o bicentenário e meio da independência americana, ele visitará Lampedusa. A ilha italiana no Mediterrâneo é famosa por ser um dos principais pontos de entrada de migrantes africanos na Europa. O gesto reforça as críticas de Leão XIV contra as políticas de imigração da atual gestão americana.
Um oficial do Vaticano foi enfático sobre a possibilidade de uma viagem papal aos Estados Unidos no curto prazo. Ele afirmou que “o Papa pode muito bem nunca visitar os Estados Unidos sob esta administração”. Por outro lado, o Departamento de Guerra classificou as descrições da reunião como altamente exageradas e distorcidas. Segundo um oficial do departamento, “a reunião entre funcionários do Pentágono e do Vaticano foi uma discussão respeitosa e razoável. Não temos nada além do mais alto respeito e saudamos a continuação do diálogo com a Santa Sé”.
A tensão subiu de tom após Donald Trump publicar na rede Truth Social que a civilização do Irã poderia ser exterminada. O Papa Leão XIV reagiu prontamente aos jornalistas na Itália, classificando a ameaça como intolerável. “Hoje, como todos sabemos, houve também esta ameaça contra todo o povo do Irã. E isto é verdadeiramente inaceitável”, disse o pontífice pouco antes de ser anunciado um cessar-fogo de duas semanas. Em seu pronunciamento seguinte, o Papa declarou que recebeu a notícia da trégua com satisfação, destacando as horas de grande tensão para o Oriente Médio e para o mundo.
A relação entre o líder da Igreja Católica e o presidente dos Estados Unidos entra em 2026 marcada por divergências profundas sobre intervenções armadas e soberania nacional.


