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Menina passa uma década vivendo com identidade secreta para sobreviver sob o regime do Talibã

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Nilofar Ayoubi passou cerca de 10 anos vivendo disfarçada de menino no Afeganistão após sofrer ameaças ainda na infância, durante o período inicial do regime do Talibã. O caso aconteceu em Kunduz, cidade localizada no norte do país, quando ela tinha apenas 4 anos de idade.

Segundo relatos, Nilofar foi abordada por um homem nas ruas, que a apalpou em busca de sinais de feminilidade e ameaçou atacar sua família caso ela não utilizasse véu. Após o episódio, o pai decidiu cortar o cabelo da filha e fazê-la viver como menino como forma de proteção.

Durante esse período, ela passou a frequentar espaços e realizar atividades que não eram permitidas às meninas no contexto do regime talibã. Segundo relatos sobre sua rotina na época, ela “recebeu o mesmo tratamento que os irmãos”.

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Em entrevista à BBC, Nilofar relembrou parte da infância vivida sob essa identidade. “Podíamos caminhar quilômetros e quilômetros. Íamos de carro para assistir a esportes, tínhamos amigos na vizinhança e ficávamos o tempo todo brincando na rua”, contou.

A mudança aconteceu quando ela tinha 13 anos e teve a primeira menstruação. Segundo Nilofar, o momento provocou um forte impacto emocional. “Tanta raiva por ser mulher que, à noite, chorava na cama”, relatou.

Com a queda inicial do regime talibã, em 2001, ela conseguiu frequentar a escola e manteve bom desempenho acadêmico. Já adulta, casou-se aos 19 anos e passou a empreender nas áreas de moda, mobiliário e design de interiores, criando negócios que chegaram a empregar cerca de 300 pessoas, incluindo mulheres.

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Em 2021, após a retomada do controle de Cabul pelo Talibã, Nilofar deixou o Afeganistão com a família após receber apoio internacional para evacuação. “Durante uma entrevista a um jornalista polonês, fui questionada se estava em alguma das listas de evacuação do país. Respondi que não. Ele pediu um tempo e, quando ligou novamente, disse que havia um avião da Polônia que, talvez, conseguiria nos tirar do país”, afirmou.

Três dias depois, ela chegou à Polônia. Desde então, passou a atuar internacionalmente na defesa dos direitos humanos, participando de eventos em países como Bélgica, Alemanha e Estados Unidos.

Ao refletir sobre a própria trajetória, Nilofar declarou: “Não quero ser alguém que nasceu, viveu alguns anos e morreu sem contribuir com nada”.

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