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Diretor da prisão mais perigosa do mundo explica por que as luzes ficam acesas

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Detentos do CECOT em El Salvador sentados em fileiras sob vigilância rígida de agentes em instalações de máxima segurança. (Foto: Instagram)

Em El Salvador, uma enorme prisão tornou-se símbolo de uma das políticas de segurança mais rigorosas do mundo. O CECOT, Centro de Confinamento do Terrorismo, foi projetado para abrigar até 40 mil detentos, muitos deles acusados de pertencer a gangues violentas como MS-13 e Barrio 18.

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O complexo foi inaugurado em 2023 como parte da ofensiva do presidente Nayib Bukele contra o crime organizado, ocupando uma área comparável a dezenas de campos de futebol. Antes dessa política de repressão em massa, El Salvador era conhecido como a “capital mundial dos homicídios”. Hoje, o país apresenta o CECOT como uma resposta direta ao terror das gangues, enquanto organizações de direitos humanos criticam as condições de detenção.

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A prisão é cercada por camadas de segurança rigorosas. De acordo com o documentário Richard Madeley on Murder Row, do Channel 5, o local tem um bloqueio eletrônico que impede a entrada de sinal de celular, evitando qualquer comunicação clandestina ou contrabando.

Luz acesa 24 horas por dia
Uma das regras mais notáveis do CECOT é clara e inflexível: as luzes nunca são apagadas. O diretor da prisão, Belarmino García, explicou no documentário: “Temos um sistema de iluminação 24 horas por dia, 7 dias por semana”.

Ele também justificou a medida dizendo: “É simplesmente parte do protocolo, preciso conseguir ver o que eles estão fazendo”.

As celas abrigam presos em camas metálicas de vários níveis, sem colchão, travesseiro ou cobertores. O único item permitido nas celas é uma Bíblia. Fora isso, os detentos não têm acesso a telas, livros ou jornais. Conversas também devem ser mantidas ao mínimo.

Quando o apresentador britânico Richard Madeley perguntou se ele considerava aquelas condições “cruéis”, García respondeu: “É necessário estar no controle”.

A rotina é meticulosamente calculada. Os presos passam cerca de 23 horas e meia por dia dentro das celas. Durante os 30 minutos em que saem, fazem exercícios calistênicos e ouvem leituras bíblicas. A alimentação também segue um padrão repetido todos os dias: arroz e feijão, duas vezes ao dia.

A cela de isolamento
O documentário também mostrou a cela de isolamento, descrita como um pequeno buraco de concreto totalmente escuro. Segundo Madeley, presos considerados problemáticos podem permanecer ali por até 30 dias.

“É totalmente silencioso. Não há luz entrando pelo teto”, afirmou o apresentador. Ele acrescentou que, no escuro, seria necessário tatear até encontrar a pia de pedra e o vaso sanitário.

Dentro do CECOT estão alguns dos criminosos mais temidos do país. Muitos cumprem penas consecutivas que ultrapassam 700 anos. Em uma entrevista exibida no documentário, um detento afirmou não ter arrependimento por matar 30 pessoas inocentes e disse que faria o mesmo novamente se fosse solto.

Mesmo com forte aparato de vigilância, os presos são contados todos os dias. O controle é parte central da lógica da prisão: reduzir ao mínimo qualquer chance de rebelião, comunicação externa ou reorganização das gangues.

O resultado é um presídio que divide opiniões no mundo inteiro. Para o governo salvadorenho, o CECOT representa a queda do poder das gangues. Para críticos, suas condições expõem uma fronteira perigosa entre segurança pública e violação de direitos fundamentais.

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