
Simulação artística ilustra o futuro da Terra quando o Sol, mais brilhante, esgotar o oxigênio atmosférico (Foto: Instagram)
A ideia de que a NASA teria "definido uma data" para o fim da vida na Terra soa como um enredo de filme apocalíptico, mas a realidade é menos dramática e mais intrigante. A questão surge de um estudo publicado na revista Nature Geoscience, com apoio parcial do programa NASA Astrobiology, que investigou o tempo de permanência do oxigênio na atmosfera terrestre.
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A resposta não envolve asteroides, explosões solares repentinas ou colapsos imediatos. Os modelos apontam para uma mudança lenta, em escala geológica, provocada principalmente pela evolução natural do Sol. À medida que envelhece, nossa estrela se torna mais brilhante, o que altera gradualmente o clima, a química da atmosfera e o equilíbrio que mantém a Terra habitável para formas de vida complexas.
De acordo com o estudo, a atmosfera rica em oxigênio da Terra pode durar, em média, cerca de 1,08 bilhão de anos, com uma margem de incerteza de aproximadamente 140 milhões de anos. Após esse período, os níveis de oxigênio devem cair drasticamente, chegando a menos de 10% da concentração atual em um período curto, geologicamente falando.
O oxigênio que respiramos não é abundante por acaso. Ele está conectado à atividade da biosfera, especialmente à fotossíntese realizada por plantas, algas e microrganismos. Durante bilhões de anos, a vida ajudou a transformar a atmosfera terrestre em um ambiente favorável para animais, seres humanos e ecossistemas complexos.
O problema é que esse equilíbrio depende de várias peças funcionando em conjunto. Com o Sol mais brilhante no futuro distante, o planeta passará por mudanças no ciclo do carbono. Uma das consequências previstas é a redução do dióxido de carbono disponível na atmosfera. Para os humanos, o CO₂ geralmente aparece como vilão devido ao aquecimento global atual, mas ele também é essencial para a fotossíntese.
Com menos dióxido de carbono, plantas e outros organismos fotossintéticos terão dificuldade para sobreviver. Quando essa engrenagem enfraquecer, a produção de oxigênio também cairá. A atmosfera, então, poderá se assemelhar à da Terra primitiva, antes da grande abundância de oxigênio.
Essa transformação não significa que o planeta será destruído no dia seguinte. A Terra continuará existindo, mas deixará de ser um lugar adequado para a vida complexa como conhecemos. Animais, seres humanos e grande parte dos organismos dependentes de oxigênio seriam os mais afetados.
O estudo também tem outro objetivo importante: ajudar cientistas a procurar vida fora da Terra. Durante muito tempo, o oxigênio foi tratado como uma das principais pistas de vida em planetas distantes. Se um telescópio detectasse oxigênio na atmosfera de um exoplaneta, isso poderia sugerir atividade biológica.
A pesquisa mostra que essa pista é poderosa, mas não eterna. Um planeta pode abrigar vida por bilhões de anos e, ainda assim, passar por fases em que o oxigênio é pouco detectável. Isso muda a forma como os cientistas interpretam mundos distantes. Um planeta sem muito oxigênio não está necessariamente morto; ele pode estar em uma fase diferente da própria história atmosférica.
No caso da Terra, a previsão não deve ser lida como uma contagem regressiva exata para a humanidade. Estamos falando de mais de 1 bilhão de anos no futuro, uma distância temporal tão grande que ultrapassa qualquer previsão séria sobre civilização, tecnologia ou adaptação. Para comparação, os dinossauros desapareceram há cerca de 66 milhões de anos, um intervalo minúsculo perto dessa escala.
O ponto central é outro: a habitabilidade da Terra tem um prazo natural. O planeta que hoje parece estável é parte de um sistema em transformação contínua, guiado pela química, pela vida e pelo envelhecimento do Sol. A "data" não é um calendário do fim do mundo, mas uma estimativa científica sobre quando a Terra deve deixar de ter a atmosfera respirável que tornou possível a vida complexa.



