De acordo com informações divulgadas pelo G1, documentos da Polícia Federal (PF) cujo sigilo foi retirado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça revelam que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, teria ameaçado divulgar informações capazes de comprometer a família do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, integrantes da suposta organização criminosa ligada a Vorcaro teriam atuado para impedir que ela tornasse públicas informações que afirmava possuir.
Luiz Phillipi Mourão foi preso em março deste ano durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Apontado pela PF como braço direito de Daniel Vorcaro, ele era investigado por supostamente atuar em monitoramento de alvos, obtenção ilegal de informações e intimidação de pessoas ligadas às investigações.
Após a prisão, Mourão morreu. De acordo com os laudos periciais, a causa da morte foi suicídio.
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A investigação aponta que, após a morte de Sicário, Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como “Manolo” e descrito pela PF como aliado próximo da família Vorcaro, passou a intermediar contatos com familiares de Mourão, que enfrentavam dificuldades financeiras.
Em mensagens interceptadas pelos investigadores, Joana relata preocupação com dívidas e afirma estar em situação de desespero diante de compromissos financeiros que precisaria honrar. Segundo a PF, a partir dessas conversas foram iniciadas tratativas envolvendo possíveis repasses e acordos com familiares de Sicário.
Os investigadores destacam que “Manolo” é apontado como integrante de um grupo responsável por ações de intimidação, cobranças e levantamentos clandestinos ligados à organização investigada. A PF afirma que sua influência e reputação no meio da contravenção eram utilizadas para dar credibilidade a ameaças e exercer pressão sobre terceiros.
Diante das ameaças feitas por Joana, um encontro presencial teria sido realizado em abril deste ano. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que a reunião contou com a participação da mãe de Mourão e foi comunicada por “Manolo” a Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.
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Mesmo após a reunião, Joana teria continuado a ameaçar divulgar informações relacionadas à família Vorcaro. Em uma das mensagens interceptadas pela PF, enviada em maio deste ano, ela faz referência à prisão de um familiar do ex-banqueiro e afirma que pretendia expor Henrique Vorcaro. “Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho. No que depender de mim, HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita”, escreveu, segundo o relatório policial. Para os investigadores, a sigla “HV” seria uma referência a Henrique Vorcaro.
Outro ponto analisado pela PF envolve uma empresa da qual Joana Mourão aparece como sócia-administradora. Segundo os investigadores, a movimentação societária e as conversas sobre contratos podem indicar uma possível tentativa de ocultação de recursos.
A suspeita é de que valores ligados às atividades atribuídas a Sicário pudessem estar sendo direcionados para familiares após sua morte, hipótese que ainda está sob apuração.
Ao G1, a defesa de Henrique Vorcaro informou que não teve acesso ao relatório completo. Os advogados afirmaram, no entanto, que eventuais cobranças mencionadas nas investigações estariam relacionadas a créditos que Luiz Phillipi Mourão teria a receber em razão de relações comerciais já apresentadas às autoridades.



