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“Lula é um ladrão”, reafirma presidente da Argentina em discurso caloroso

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O governo da Argentina não pretende apresentar um pedido oficial de desculpas ao Brasil pelas declarações do presidente Javier Milei durante a convenção partidária que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A informação foi publicada pelo jornal argentino La Nación, com base em fontes da Casa Rosada.

De acordo com a reportagem, integrantes do governo argentino afirmaram que Milei não deve se retratar pelas declarações feitas no último sábado, em São Paulo, quando chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e “presidiário”.

“Talvez não dizer mais nada seja uma forma de reduzir a tensão”, disse uma das fontes ouvidas pelo jornal, que atribuiu o clima de animosidade às diferenças entre Milei e Lula e à proximidade do presidente argentino com a família Bolsonaro.

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Ainda segundo o La Nación, autoridades dos dois países avaliam que a participação da secretária-geral da Presidência da Argentina, Karina Milei, e do secretário de Relações Econômicas Internacionais, Pablo Quirno, no evento em São Paulo também contribuiu para ampliar o desgaste diplomático.

No domingo, Milei voltou a fazer críticas ao governo brasileiro ao afirmar que Lula teria interferido anteriormente na política argentina e estaria financiando, ao lado do México e do Partido Democrata dos Estados Unidos, uma suposta “campanha anti-Argentina”.

Durante a visita ao Brasil, o presidente argentino também chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca”, em reação à decisão que impediu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília após condenação por tentativa de golpe de Estado.

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Em resposta às declarações, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas e chamou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para transmitir a insatisfação do governo brasileiro e solicitar esclarecimentos.

As medidas são consideradas instrumentos diplomáticos para demonstrar descontentamento e evidenciam o agravamento das relações entre Brasil e Argentina, que já enfrentam sucessivos episódios de tensão desde a posse de Javier Milei, no fim de 2023.

Apesar disso, fontes ouvidas pelo La Nación afirmaram que a crise não deve escalar. Segundo diplomatas e integrantes do governo argentino, a proximidade das eleições brasileiras torna improvável um aprofundamento do conflito, já que, na avaliação dessas fontes, não haveria interesse do governo Lula em ampliar a polarização para além do discurso.

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