A busca por um bumbum mais definido e volumoso se tornou popular entre celebridades e influenciadoras, mas a frequência de procedimentos na região levanta uma questão: é seguro realizar novas intervenções antes da recuperação completa do organismo?
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O tema voltou a ser discutido após conteúdos envolvendo Virginia Fonseca, Bianca Andrade e Gkay, que realizaram procedimentos para melhorar o contorno e a aparência dos glúteos. Recentemente, Virginia Fonseca chegou a brincar sobre o resultado de uma harmonização glútea, enquanto uma amiga comentou de forma bem-humorada que o procedimento poderia “explodir”.
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Embora o tom nas redes sociais seja descontraído, especialistas alertam que procedimentos estéticos não devem ser julgados apenas pelo resultado visual imediato. O intervalo entre intervenções deve considerar o tipo de procedimento, a resposta individual do organismo e o estágio de recuperação dos tecidos.
NÃO EXISTE UM NÚMERO SEGURO
Segundo o cirurgião plástico Luis Fernando de Mattos, não há uma quantidade universal de intervenções que seja segura para todos.
“O limite é individual e depende da anatomia, qualidade da pele e dos tecidos, histórico de cirurgias, presença de cicatrizes, vascularização da região e, principalmente, da capacidade de recuperação do organismo”, afirmou.
AS MODIFICAÇÕES
A cirurgiã plástica Alessandra Martinelli, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), ressaltou que cada intervenção altera os tecidos.
“O que existe é um limite biológico e anatômico para cada paciente. A cada cirurgia, há mudanças na pele, gordura, músculos e tecidos profundos, além da formação de cicatrizes internas”, opinou.
ATENÇÃO AO HISTÓRICO
Para Bárbara Peres, enfermeira pós-graduada em estética avançada, o histórico do paciente é crucial: “Não existe um número fixo que determine quantos procedimentos podem ser realizados no bumbum”, comentou, antes de completar:
“Cada procedimento provoca uma resposta no organismo e, quando feitos repetidamente ou sem respeitar os intervalos necessários, podemos ter alterações na qualidade da pele, fibroses, edema persistente e irregularidades”, declarou.
POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES
O problema não está apenas na quantidade de intervenções, mas em realizá-las enquanto a região ainda está se recuperando. Segundo Luis Fernando de Mattos, uma nova intervenção antes da cicatrização completa pode aumentar riscos como infecção, sangramento, hematomas, seromas, alterações na cicatrização, fibrose e irregularidades no contorno.
“A cicatrização não acontece apenas na superfície: existe uma recuperação interna dos tecidos que precisa ser respeitada. Por isso, o desejo de acelerar o resultado estético nunca deve se sobrepor ao tempo biológico necessário para o organismo se recuperar”, observou.
O PROCESSO DE RECUPERAÇÃO
Alessandra Martinelli reforçou que edema e inflamação ainda presentes indicam que o processo de recuperação não terminou: “Uma região ainda com edema, inflamação ou cicatrização interna não está pronta para receber necessariamente uma nova agressão cirúrgica”, pontuou.
E prosseguiu: “Isso pode aumentar a possibilidade de sangramento, infecção, seroma, alterações na cicatrização, fibrose, irregularidades e sofrimento dos tecidos”, enumerou.
Na avaliação de Bárbara Peres, tentar corrigir rapidamente uma alteração que ainda faz parte da recuperação pode ser um erro: “Um erro comum é interpretar uma região ainda inchada ou endurecida como um resultado definitivo e tentar corrigi-la imediatamente. O organismo precisa de tempo para responder ao procedimento, e antecipar etapas pode trazer mais problemas do que benefícios”, disse.
APARÊNCIA NÃO DECIDE NOVA INTERVENÇÃO
Outro ponto de atenção é acreditar que a ausência de dor ou uma melhora visual significa que o organismo já está pronto para passar por outro procedimento. A avaliação precisa ser individualizada.
“Essa decisão não deve ser tomada apenas pela aparência externa da região ou pela ausência de dor. É necessária uma avaliação presencial detalhada com o cirurgião plástico”, esclareceu Luis Fernando.
Alessandra acrescentou também que o momento adequado depende de fatores como o procedimento anterior, sua extensão e a resposta do organismo: “Não existe um prazo universal que determine quando todos os pacientes podem voltar à cirurgia. O momento adequado depende do procedimento anterior, da extensão da intervenção e da resposta individual à cicatrização”, apontou.
SINAIS DE ATENÇÃO
Bárbara orientou que sinais como edema, vermelhidão, sensibilidade, alterações na textura da pele e fibroses sejam avaliados antes de qualquer nova intervenção.
“Também é importante respeitar o intervalo recomendado para cada técnica, porque cada procedimento tem um tempo de recuperação diferente. Se o tecido ainda apresenta sinais de recuperação, o melhor procedimento muitas vezes é esperar”, relatou.
ALERTA VALE PARA PROCEDIMENTOS NÃO CIRÚRGICOS
A preocupação não se restringe às cirurgias. Procedimentos estéticos realizados em sequência também podem exigir intervalos específicos, dependendo da técnica, dos produtos utilizados e da resposta do organismo.
Por isso, antes de seguir uma tendência ou repetir um procedimento visto nas redes sociais, os especialistas recomendam avaliação individualizada e acompanhamento de profissional habilitado. O resultado de uma celebridade não permite determinar o que é adequado para outra pessoa.
Mais do que a velocidade para alcançar determinado padrão estético, o ponto central é respeitar o tempo do corpo. Quando o assunto é procedimento no bumbum, a pressa pelo próximo resultado pode ser justamente o fator que compromete o resultado anterior.
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