O jornalista João Paulo Charleaux afirmou que o governo de Donald Trump estaria construindo, por meio de declarações, medidas econômicas e ações na área de segurança, um cenário que poderia ampliar a interferência norte-americana no Brasil. A avaliação foi feita durante participação no UOL News, do Canal UOL.
Ao comentar a análise do Palácio do Planalto sobre os riscos de medidas de força dos Estados Unidos contra o Brasil, Charleaux disse que não considera a situação uma escolha entre intervir ou não intervir. Para ele, existe uma sequência de medidas que já estaria em andamento.
“A avaliação do Planalto leva em consideração que essa situação é de liga-desliga, ou os Estados Unidos intervêm ou não. Eu não vejo dessa forma, eu vejo como uma escada. Você fazer declarações inamistosas, mover embarcações na direção da costa de um país, fazer posts em redes sociais, adotar medidas econômicas que na prática têm um papel semelhante ao de um embargo ou de uma sanção. Tudo isso são medidas de força e já configura uma interferência indevida no processo eleitoral brasileiro”, afirma.
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Segundo o jornalista, o Brasil “já deixou o zero para trás” e os próximos passos poderiam envolver pressão econômica e medidas relacionadas à segurança. Ele citou ainda a classificação de facções brasileiras como “grupos armados terroristas internacionais”.
“Quando teve a classificação das facções brasileiras como grupos armados terroristas internacionais, isso faz com que os Estados Unidos passem a dizer que esses grupos estão sob a jurisdição da ação americana. Portanto, isso é algo extremamente agressivo, ofensivo à soberania brasileira”.
Charleaux afirmou que seu principal receio está relacionado à possibilidade de o governo Lula e o PT serem associados a facções criminosas dentro de uma eventual estratégia de intervenção pela área de segurança. Ele ressaltou que não se trata de uma previsão.
“O meu maior temor, isso não é uma previsão, mas acho que vale a pena fazer o alerta, é a associação do governo Lula com facções. Esse é o novo meio de intervenção americano, é pela via securitária”.
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O jornalista também afirmou enxergar uma preparação que, segundo sua análise, poderia permitir uma eventual ação contra o Brasil caso os Estados Unidos decidissem adotá-la. Ele destacou que o desfecho dependeria de acontecimentos futuros.
“Eu vejo os Estados Unidos armando um arcabouço discursivo e militar que abra a possibilidade de fazer isso se tiver vontade. Se vai fazer ou não, eu acho que depende de fatores que vão se desenrolar daqui a outubro”, finalizou.


