As mudanças climáticas são pautadas no mundo inteiro, já que seus impactos podem afetar o estilo de vida de todos. De acordo com novas informações divulgadas pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido, o fenômeno climático El Niño tem ganhado força e pode se transformar em um dos episódios mais intensos e devastadores já registrados.
As projeções para 2026 indicam um aquecimento excepcional das águas do Oceano Pacífico Equatorial, com uma intensidade que pode se aproximar dos maiores eventos observados desde o início do monitoramento. O fenômeno é provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente sopram sobre o Oceano Pacífico.
Com esses ventos mais fracos, as águas da região equatorial ficam mais quentes e transferem uma quantidade maior de calor para a atmosfera. Como consequência, o El Niño pode alterar significativamente os padrões de chuva, elevar as temperaturas globais e aumentar a ocorrência de eventos climáticos extremos.
A Organização das Nações Unidas divulgou um novo alerta nesta quinta-feira (3) e informou que o fenômeno continua ganhando intensidade e pode persistir até fevereiro de 2027. A preocupação está principalmente na temperatura das águas do Pacífico. Durante o El Niño de 2015, considerado um dos mais intensos já registrados, a temperatura da superfície do oceano chegou a 3,1 °C acima da média. Em agosto de 2026, esse aumento já alcançava 2,6 °C.
A previsão da Organização Meteorológica Mundial é que o fenômeno atinja seu pico em novembro, podendo chegar a 4 °C acima da média. A secretária-geral da organização classificou o cenário como um momento de incerteza e fez um alerta sobre a dimensão do fenômeno. Segundo ela, se as condições continuarem evoluindo dessa maneira, este poderá ser o pior El Niño desde o início do monitoramento.
Os impactos também podem ser significativos na América do Sul. A combinação das condições observadas nos oceanos pode provocar mudanças no regime de chuvas e aumentar o risco de eventos extremos. Na Amazônia e no Nordeste brasileiro, existe a possibilidade de períodos de seca severa. Já a região Sul pode voltar a enfrentar tempestades de grande intensidade.
Além dos impactos ambientais e sociais, o fenômeno também representa uma ameaça econômica. A agricultura pode ser diretamente afetada pelas alterações nas chuvas e pelas temperaturas mais elevadas, comprometendo a produção de alimentos. A geração de energia também preocupa, principalmente no Brasil, onde mais da metade da eletricidade produzida depende das hidrelétricas.
Períodos prolongados de estiagem podem reduzir o nível dos reservatórios e pressionar o sistema energético. Apesar de o El Niño não poder ser evitado, os impactos provocados por ele podem ser reduzidos. As previsões climáticas permitem antecipar cenários e criar estratégias para proteger a população, a produção agrícola e os sistemas de abastecimento e energia.
O alerta chega, porém, em um momento ainda mais preocupante: o planeta já enfrenta uma emergência climática. Na quarta-feira (2), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alertou que o mundo pode ultrapassar o limite de 1,5 °C de aquecimento estabelecido pelo Acordo de Paris. Mantido o ritmo atual, a temperatura média global pode chegar a 2,6 °C acima dos níveis pré-industriais até 2100.
Cada fração de grau a mais representa novos riscos para o planeta e para a população. Entre eles estão o derretimento acelerado das geleiras e o aumento da vulnerabilidade de comunidades inteiras. No Nepal, por exemplo, o governo atribuiu ao aquecimento global parte dos impactos recentes e informou que cerca de 20 mil casas precisarão ser reconstruídas.
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O avanço do El Niño, portanto, acende mais um sinal de alerta em um planeta que já convive com temperaturas recordes e eventos climáticos cada vez mais extremos. Os próximos meses serão fundamentais para acompanhar a evolução do fenômeno e, principalmente, para preparar as regiões que podem sofrer com seus impactos.


