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Lula aguarda resposta do principal inimigo do PCC para criar ministério

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Lula consulta Lincoln Gakiya para comandar novo Ministério da Segurança Pública; Chico Lucas é o plano alternativo. (Foto: Instagram)

Lula já consultou o promotor Lincoln Gakiya, nome mais conhecido do país no combate ao PCC e favorito do presidente para chefiar o Ministério da Segurança Pública. Caso ele não aceite, o escolhido será Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública. A pressa tem uma razão: Lula quer criar e instalar a nova pasta rapidamente, fazendo dela o primeiro ato do quarto mandato.

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Tudo depende do Senado, que vota nesta terça (03/10), a partir das 16h, a PEC da Segurança Pública. Com o calendário especial aprovado em outubro, os dois turnos podem ocorrer no mesmo dia, e a proposta precisa receber pelo menos 49 votos entre os 81 senadores em cada votação. O governo tenta aprovar o texto sem alterações que o obriguem a retornar à Câmara. Se conseguir, a PEC seguirá diretamente para promulgação, em sessão do Congresso, e abrirá caminho para a criação do novo ministério por medida provisória, separado do atual Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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A PEC inclui na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública, amplia as atribuições da Polícia Federal, permite a criação de polícias municipais e estabelece um regime penal mais rígido para líderes e integrantes de facções e milícias. Entre as medidas estão a prisão obrigatória em presídio de segurança máxima, limites à progressão de regime e o confisco de bens ligados ao crime. A área também terá uma nova fonte de recursos, com 10% do superávit do Fundo Social do pré-sal.

O debate sobre a maioridade penal deve ficar para outro momento. Das cinco emendas apresentadas em plenário, duas abordam o tema. Rogério Marinho (PL-RN) propõe reduzir a idade penal para 16 anos como regra geral e para 14 em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico e terrorismo. Já Camilo Santana (PT-CE) mantém os 18 anos e prevê exceção a partir dos 16 apenas para crimes hediondos. Qualquer alteração desse tipo faria a PEC voltar aos deputados e atrasaria a criação do ministério.

O PROMOTOR QUE O PCC QUIS MATAR

Lincoln Gakiya construiu sua carreira no Ministério Público de São Paulo, em grande parte no Gaeco, grupo de combate ao crime organizado. Atuou em Presidente Venceslau, no oeste paulista, onde ficam alguns dos presídios que abrigam a cúpula do PCC. São mais de duas décadas investigando a facção por dentro, desde as ordens emitidas das celas até o dinheiro movimentado fora delas.

O momento mais importante da carreira ocorreu em 2019, quando liderou o pedido para transferir Marcola e outros chefes do PCC para presídios federais, isolando a cúpula da facção. O custo foi alto: Gakiya foi alvo de planos de execução e, desde então, vive sob escolta. Ele já declarou temer pela própria segurança após se aposentar, quando a proteção deixa de ser garantida.

Gakiya mantém contato com agências americanas, entre elas o FBI e a DEA, e tem boa relação com as polícias. Durante a campanha, Ronaldo Caiado chegou a apresentá-lo como seu futuro ministro da Segurança. Se aceitar o convite de Lula, o governo tirará da direita um de seus nomes mais simbólicos na área. À esquerda, porém, já existem críticas à proximidade dele com as forças policiais e os Estados Unidos. Seu perfil técnico e de alcance nacional daria ao ministério visibilidade imediata.

O GESTOR DOS NÚMEROS

Francisco Lucas Costa Veloso, o Chico Lucas, ingressou na Polícia Rodoviária Federal aos 19 anos. Aos 25, tornou-se procurador do Estado do Piauí e chegou a presidir a associação da categoria. Na política, coordenou a campanha que elegeu Rafael Fonteles governador em 2022 e, em seguida, assumiu a Secretaria de Segurança do estado.

No cargo, estruturou uma gestão apoiada em dados, inteligência policial e integração entre as forças. Em três anos, o Piauí registrou o menor número de mortes violentas da década, com redução de 31%. Os homicídios diminuíram 30%, e a queda em Teresina superou 41%. Os latrocínios recuaram 44%, os roubos de veículos, 38%, e os de celular, 53%, impulsionados pelo programa Meu Celular de Volta, que devolveu mais de 14 mil aparelhos aos donos. Tudo isso ocorreu com uma das menores taxas de letalidade policial do país.

Os resultados o levaram a Brasília no início deste ano, após ser escolhido pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para comandar a Secretaria Nacional de Segurança Pública. Se Gakiya não aceitar, Chico Lucas levará ao ministério a continuidade de quem já conhece a máquina federal e tem resultados a apresentar.

O PRIMEIRO ATO

A escolha entre os dois indica o que Lula espera da nova pasta: uma vitrine imediata no combate às facções ou uma gestão com resultados já comprovados. A ordem, porém, está definida. Primeiro vem a aprovação no Senado, depois a promulgação e, só então, o ministério. Se os planos do Planalto se concretizarem, o Lula 4 começará oficialmente pela segurança pública, ainda nesta semana.

Tags: Governo Lula, Lula

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