
Chuvas aceleram recuperação do Sistema Cantareira, que recebeu mais de 125 bilhões de litros desde o início da primavera. (Foto: Instagram)
São Paulo — As chuvas que preocupam e provocam medo e mortes nas cidades paulistas são as mesmas que ajudam o Sistema Cantareira a viver uma “primavera dos sonhos”, com recuperação mais acelerada do que a registrada no verão passado.
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Desde o início da estação atual, o sistema ganhou mais de 125 bilhões de litros, volume equivalente ao que é retirado do reservatório em quase dois meses (54 dias). Se essa quantidade fosse distribuída pelos outros sistemas, seria suficiente para abastecer toda a região metropolitana de São Paulo por 20 dias.
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Durante todo o verão passado, o Cantareira conseguiu armazenar, em média, 2,48 bilhões por dia. Até a metade desta primavera, a média já chega a 2,66 bilhões diários. Essa reserva é essencial para enfrentar os períodos mais secos do ano, quando a quantidade de água que chega ao sistema diminui bastante.
Fora do padrão habitual e acima das médias históricas, as chuvas de setembro e outubro continuam em novembro e ajudam o maior sistema produtor de água de São Paulo a sair da seca enfrentada nos últimos meses.
Neste novembro, a vazão natural — quantidade de água que entra no sistema — está 55% acima da média histórica para o mês. O Cantareira tem recebido 55.143 mil litros por segundo, diante dos 33.100 esperados. As chuvas frequentes mantêm o solo úmido, facilitando o escoamento da água para as represas e a recarga dos lençóis freáticos.
Durante as estiagens, o solo ressecado dificulta a recuperação dos reservatórios, pois é preciso haver infiltração suficiente para que a água chegue em grande quantidade às represas. É como uma esponja seca, que primeiro precisa absorver muito líquido para que, ao ser apertada, alguma água saia.
Chuvas rápidas, ainda que intensas, mas separadas por longos intervalos, não têm o mesmo efeito das precipitações mais constantes, como as dos últimos dois meses.
Além do Cantareira
Atualmente, o Cantareira opera com 53,4% de sua capacidade útil. Apesar de a situação ser mais confortável que no passado recente, o índice ainda é o menor entre todos os sistemas produtores da Grande São Paulo.
Os “irmãos menores” do sistema vivem um momento ainda melhor. O Alto Tietê também passou por uma estiagem recente, mas agora está com 61,1% do total. O Guarapiranga, por sua vez, registra 88,5%. Juntos, os sete reservatórios do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) estão com 62,6%.
A situação do SIM melhorou desde o dia 22 de setembro, com um ganho de 148 bilhões de litros até este domingo (8/11).
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