
Sophia Bosarge e voluntária seguram os “angel gowns” feitos a partir de vestidos de noiva para mães enlutadas. (Foto: Instagram)
Southern Grace Angelic Gowns, organização sem fins lucrativos com sede em Mobile, Alabama, transforma vestidos de noiva usados em “angel gowns” — roupinhas de despedida e lembranças para mães que sofreram aborto espontâneo ou natimorto. Desde 2005, a fundadora Sophia Bosarge reutiliza esses tecidos especiais para confeccionar trajes que oferecem conforto e honram a memória dos bebês. O projeto ganhou estatuto jurídico em 2017 e passou a contar com apoios para expandir seu alcance e impacto.
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Bosarge descobriu sua missão pessoal ao enfrentar a perda de quatro filhos. Em entrevista ao veículo AL.com, ela lembrou do constrangimento nos dias das mães, quando era convidada a se levantar mesmo sem crianças por perto. “Eu ainda sou mãe, mesmo que meus filhos não estejam aqui”, disse ela, ressaltando que o luto nem sempre encontra espaço para ser expressado e que, ao dar forma a esses vestidos, consegue dar voz às mulheres que sofrem sozinhas.
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O apoio familiar foi crucial para dar vida à iniciativa. O marido de Sophia, veterano da Força Aérea, presenteou-a com a primeira máquina de costura, dando início a uma nova fase em sua vida. Ainda hoje, ele ajuda a recortar os vestidos doados, enquanto Sophia e cerca de 20 voluntários das regiões de Mobile e Mississippi acrescentam renda, laços, pérolas e detalhes únicos. Cada peça resulta de semanas de trabalho manual, com mínimo desperdício de tecido.
Todos os vestidos começam no formato de “pocket gowns” (bolsinhos), ideais para bebês cujas roupas comuns não serviriam, e se estendem para tamanhos maiores conforme a necessidade. Para os casos de natimortos, são produzidos também gorros em tricô e toucas delicadas. Sophia explica: “Não se encontra em lojas nada para bebês de dois quilos ou um quilo. A gente cria cada detalhe, desde o bordado de Swarovski até o forro macio, para que as famílias sintam o carinho em cada ponto.”
A organização mantém parcerias com mais de 60 hospitais e casas funerárias em diversos estados dos EUA e recebe encomendas diretas de pais que encontram o projeto pelas redes sociais. Além dos vestidos, são confeccionadas mantas, cartões personalizados e outros itens de lembrança para que as mães e pais guardem as lembranças com afeto. Em muitos casos, as peças fazem parte do protocolo de despedida, integrando cerimoniais e cerimônias íntimas.
Apesar do sucesso, Southern Grace Angelic Gowns encara desafios de pessoal desde a pandemia de COVID-19, quando muitos voluntários deixaram as atividades. Sophia faz um apelo: “Precisamos de mais ajudantes de corte, costura e bordado para atender à fila de espera. As doações de vestidos não faltam, mas faltam mãos para honrar cada história.” Seu marido segue como braço direito e, juntos, eles mantêm o sonho de acolher cada família com empatia.
O propósito final da ONG vai além de vestir bebês ausentes: trata-se de criar uma comunidade de acolhimento para mães e pais enlutados. Sophia lembra que receber um “angel gown” é acreditar que, ainda que o bebê não tenha ficado, seu valor e existência jamais serão esquecidos. “Queremos que cada família sinta: ‘Seu bebê era amado e tem um lugar na história’”, conclui ela.

