
Influenciadora de livros incorpora luto e maternidade em nova fase digital (Foto: Instagram)
Brielle Persun, antes conhecida no “Bookstagram” por resenhas e recomendações literárias, viu sua rotina online virar de cabeça para baixo após a morte inesperada do marido, Tyler, em janeiro de 2025. A influenciadora, que acumulava um público fiel comentando lançamentos e clássicos, não conseguia retomar o ritmo de postagens focadas apenas em livros depois de se tornar viúva. Em vez disso, sentiu a necessidade de incorporar seu luto e a realidade de criar o filho Colby – nascido cinco meses antes da tragédia – em cada publicação.
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Antes do drama pessoal, Persun mantinha um perfil praticamente monolítico, dedicado somente a resenhas literárias, mesmo após o casamento e a chegada do primeiro filho. Mas quando o companheiro faleceu em decorrência de complicações de pancreatite, ela não se reconhecia mais naquelas postagens polidas. A influenciadora relatou à reportagem que falta de identificação com o próprio conteúdo e a dor intensa a impediam de continuar adotando o mesmo formato de sempre.
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Assim, seu perfil @bookswithbrielle passou a abranger muito mais do que livros. Persun incluiu vlogs do dia a dia, debates francos sobre a experiência do luto e reflexões sobre saúde mental, mesmo envolvendo a rotina de quem cria um bebê sem o pai. A transição de conteúdo para um nicho de lifestyle e bem-estar refletiu tanto sua necessidade pessoal de processamento quanto a tendência de influenciadores de nicho adaptarem seus temas quando a vida muda radicalmente.
Essa mudança foi bem recebida pela maioria dos seguidores, e seu público, que já apreciava sua autenticidade, acabou aumentando. No entanto, ela também enfrentou comentários críticos padrão das redes sociais, fenômeno conhecido como “tone policing” – quando usuários julgam como alguém deve reagir às próprias emoções no ambiente digital, sem levar em conta as particularidades de cada jornada de dor.
Influenciada pelo exemplo de Emilie Kiser, outra criadora que perdeu o filho de 3 anos após um afogamento, Persun encontrou coragem para se expor. Kiser ficou meses em silêncio antes de retornar com postagens sobre terapia, desafios do luto e resgatarem juntos momentos de vida cotidiana. Assistir à jornada de Kiser foi um guia emocional, mostrando a Brielle que compartilhar sua recuperação ajudaria tanto a si mesma quanto quem também sofre.
Apesar das diferenças em cada perda – morte súbita de um cônjuge versus de uma criança –, há semelhanças nas reações alheias: seguidores questionando por que elas ainda sorriem ou postam sobre assuntos leves. Persun destaca a importância de quebrar tabus sobre saúde mental e de buscar apoio em terapia, grupos de apoio ou conversas com amigos. Mostrar vulnerabilidade tem se tornado uma ferramenta terapêutica valiosa nas comunidades online.
Para Brielle, o saldo geral dessa exposição íntima é muito positivo. As mensagens de quem se identifica com seu relato superam em muito as críticas. A influenciadora hoje se sente confiante para mostrar sua verdade: luto e alegria podem conviver. Ela acredita que, ao falar abertamente das próprias emoções, oferece esperança e incentiva outras pessoas a expressarem também o que sentem.

