
Enfermeira abre o coração sobre gestação de substituição e depressão pós-parto (Foto: Instagram)
Elizabeth Schreiber, enfermeira e mãe de um menino de Wheeling, West Virginia, nunca imaginou o tamanho do afeto que sentiria até dar à luz em novembro de 2018. Casada com Jeremy Schreiber, 49, ela e o marido tinham combinado de ter apenas um filho, já que Jeremy vinha de um casamento anterior e não planejava esperar pelo ensino médio do bebê no futuro. Entretanto, ao segurar o próprio filho pela primeira vez, Elizabeth descobriu um amor tão intenso que decidiu ajudar outra família a viver a mesma experiência.
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Animada, ela buscou uma agência de gestação de substituição em julho de 2023 e, em apenas duas semanas, recebeu a proposta de uma família interessada em seu perfil. Elizabeth e Jeremy conheceram o casal pretendente pessoalmente e sentiram que o encontro era perfeito: “Nos apaixonamos por eles e, da mesma forma, eles por nós”, relembra Elizabeth. Para explicar ao filho, ela brincava dizendo que “estava alugando o útero”.
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A gestação transcorreu sem complicações e, na primavera de 2025, o bebê nasceu apenas 90 minutos depois de Elizabeth chegar ao hospital. “Ver os pais segurarem o filho pela primeira vez foi indescritível; senti que realizei um sonho alheio com a mesma intensidade que vivi o meu”, conta Elizabeth. Durante as primeiras semanas, ela se dedicou a extrair leite e ajudar o casal, aproveitando cada instante sem imaginar que um turbilhão emocional se aproximava.
Cerca de um mês após o parto, começou a perceber tristeza intensa e sem explicação. Elizabeth relata que, embora soubesse diferenciar ansiedade de depressão, nunca tinha experimentado o peso que tomou conta dos seus dias. “Era como um cobertor de chumbo me esmagando cada vez mais”, descreve. Ela se via chorando descontroladamente enquanto tomava café da manhã com o próprio filho e sentia o medo de “desmanchar” ao menor sopro de vento.
Nos atendimentos de rotina, Elizabeth respondeu positivamente ao questionário de depressão pós-parto, e o obstetra sugeriu iniciar um tratamento medicamentoso. Ela passou a tomar Zurzuvae, medicamento de ação rápida que não afetou o bebê, pois a produção de leite já havia sido interrompida. Em poucos dias, a intensidade do sofrimento diminuiu, e ela acrescentou um ISRS para estabilizar o humor. Em cerca de dois meses, recuperou o gosto pelas pequenas alegrias do cotidiano.
Hoje, Elizabeth Schreiber incentiva suas pacientes — muitas delas também mães — a reconhecerem os sinais da depressão pós-parto e a buscar ajuda sem culpa. “É uma questão hormonal e química, não uma falha de caráter. Falar sobre momento difícil não te torna inadequada como mãe”, afirma. Ela reforça que existe luz no fim do túnel e que, ao compartilhar a própria trajetória, espera dar segurança a quem vive ameaçada pelo peso invisível dessa condição.

