
Sara Harberson, especialista em admissões universitárias, orienta famílias sobre estratégias para enfrentar a temporada de inscrições. (Foto: Instagram)
Sara Harberson é especialista em admissões universitárias com mais de 20 anos de experiência, atuando tanto em instituições de ensino superior quanto no aconselhamento privado. Em um cenário cada vez mais questionado — com escândalos, revisões em políticas de ação afirmativa e cortes de verba —, ela revela o que as famílias precisam compreender para encarar a temporada de decisões das faculdades.
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A concorrência disparou nos últimos anos: taxas de aceitação despencam e inscrições em universidades de prestígio só aumentam, deixando pais e alunos inseguros. Segundo Harberson, criadora do portal Application Nation, essas frequentes mudanças podem gerar confusão, pois muitos recorrem a processos emocionais sem entender as regras em constante transformação.
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O ponto de inflexão ocorreu em 2019, quando veio à tona o escândalo de fraudes envolvendo intermediários que facilitavam a entrada de alunos em instituições de elite. “Foi a primeira vez que as famílias souberam do que ocorre nos bastidores”, recorda Harberson. Técnicos esportivos e até universidades foram acusados de manipular admissões, deixando pais “de queixo caído” ao descobrir práticas sigilosas.
Com passagens por um colégio feminino particular como diretora de orientação e anos como decana de admissões em uma instituição da Ivy League, Harberson conhece o processo por dentro. Além disso, é autora do livro Soundbite: The Admissions Secret that Gets You Into College and Beyond. Mas, como ex-aluna sem recursos para contratar orientador, ela decidiu democratizar seu conhecimento: “Quero ser esse guia para quem não pode pagar por um serviço privado.”
Diante desse quadro, Harberson identifica três tendências que marcam o atual ciclo de admissões. Primeiro, o crescimento do Early Action — inscrição antecipada, não vinculativa, em que o estudante recebe resposta mais cedo e sem compromisso de matrícula. Além de demonstrar interesse, muitos aproveitam para consolidar redações antes do cansaço do segundo semestre, melhorando a qualidade das aplicações.
Em seguida, o modelo de “alternate start” vem ganhando força. Algumas universidades selecionam estudantes para início em períodos diferentes — primavera, verão ou campus satélite –, estratégia que nem sempre entra nas estatísticas oficiais de desempenho. Ao aceitar essas datas ou locais alternativos, o candidato pode elevar suas chances, enquanto a instituição consegue preencher vagas remanescentes, otimizar alojamentos e manter média de notas competitiva.
Por fim, os testes padronizados seguem no centro das atenções. Apesar de muitas faculdades adotarem políticas “test-optional”, médias altas continuam a beneficiar candidatos — e vários gigantes do ensino estão reinstaurando exigência de notas. “As instituições querem ver seu índice de pontuação subir anualmente, pois é critério de avaliação de suas lideranças”, explica Harberson. Por isso, ela recomenda que famílias priorizem investimentos em preparação para provas: um bom resultado ainda faz diferença.

