
Kristin Song ao lado do filho Ethan, que morreu acidentalmente em 2018. (Foto: Instagram)
Por Susan Young. Em 31 de janeiro de 2018, o adolescente Ethan Song morreu em um incidente acidental na casa de um amigo, e sua mãe, Kristin Song, tornou-se obcecada em impedir que outras famílias, incluindo seu marido Mike Song e seus filhos Emily e Evan, vivam a mesma dor.
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Naquele dia, Ethan, que havia acabado de tirar o aparelho dentário e sonhava em ingressar no Exército antes de cursar a Rice University, manuseava uma arma calibre .357 escondida no armário trancado da residência do colega. Autoridades concluíram que ele disparou acidentalmente contra a própria cabeça. Embora tenha sido apontado que o próprio jovem teria puxado o gatilho, a família discorda dessa versão. Estatísticas do Centers for Disease Control and Prevention mostram que mais de 1.200 crianças e adolescentes morreram por disparos não intencionais entre 2003 e 2021 nos EUA.
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Nas semanas que se seguiram, Kristin Song isolou-se, recorreu ao álcool e chegou a pensar em tirar a própria vida. Já Mike Song buscou auxílio em terapias, tornou-se corredor e encontrou na música uma forma de expressar sua dor. Os filhos Emily e Evan precisaram lidar com a ausência do irmão mais novo, que até colecionava fotos espirituosas no campo de lacrosse, esporte que amava praticar. Cada um passou a enfrentar o luto à sua maneira, sem tentar impor como o outro deveria reagir.
Movida pela culpa e pela saudade, Kristin Song dedicou-se a aprovar leis de armazenamento seguro de armas residenciais. No nível estadual, obteve aprovação para que sejam guardadas sob chave. No Congresso, patrocina o “Ethan’s Law”, que prevê penas criminais a quem não impedir o acesso de menores a armas. O projeto foi apresentado em fevereiro de 2025 ao Comitê Judiciário, mas ainda aguarda deliberação. Ela relata ter sido recebida de forma cordial em legislaturas anteriores, mas notou resistência crescente em 2024.
A defesa da mãe de Ethan Song enfrentou ataques virtuais, com internautas acusando-a de omissão por confiar na segurança do armário. A resposta de Kristin era direta: “Eu falhei em protegê-lo e me culpo todos os dias.” Ao mesmo tempo, recebeu apoio de familiares e amigos que se mantiveram ao lado do casal, reforçando a importância de compartilhar experiências para transformar o luto em propósito.
Hoje, oito anos após a tragédia, Kristin e Mike Song reconhecem passos de cura: a árvore de Natal voltou ao lugar, e as lembranças de Ethan são honradas em homenagens discretas, sem consumir cada momento. Ela relata ter aprendido que perdoar-se não trai a memória do filho, mas fortalece a família que sobreviveu. “Não sou vítima nem sobrevivente”, conclui. “Sou uma guerreira, pronta para seguir em frente.”

