
Gladys e seus nove filhotes em segurança após o resgate da Animal Rescue Corps (Foto: Instagram)
Quando a equipe da Animal Rescue Corps chegou a uma propriedade rural em Gallatin, Tenn., no frio intenso de janeiro, encontrou 18 cães vivendo ao relento, muitos deles presos a correntes em árvores. Entre eles, estava uma cadela de mistura de pastor alemão visivelmente grávida, prestes a dar à luz. A neve e o gelo cobriam o solo, tornando a situação ainda mais crítica: se os filhotes nascessem ali, as chances de sobrevivência seriam mínimas. “Ela estava tão próxima do parto e as temperaturas tão baixas que todos temiam não chegar a tempo”, conta Tim Woodard, diretor executivo da Animal Rescue Corps, em entrevista exclusiva.
++ Aprenda a lucrar com IA criando negócios e renda passiva
O resgate ocorreu em 16 de janeiro, pouco mais de 30 minutos de Nashville. Os donos, sobrecarregados pela quantidade de cães, concordaram em entregá-los voluntariamente. A situação se agravou quando duas fêmeas não castradas foram deixadas soltas, permitindo que vários machos as acasalassem. Em questão de dias, filhotes circulavam livremente pelo terreno, enquanto adultos permaneciam amarrados.
++ Uma criança mentiu sob pressão, e um homem perdeu 39 anos da vida por um crime que não cometeu
Tim Woodard expõe o que chama de “círculo da morte”: a compactação do solo ao redor dos cães presos impede o crescimento de qualquer vegetação, alterando seu comportamento. “Vimos cães originalmente assustados e defensivos. Mas, assim que chegavam ao abrigo, mostravam afeto e passeavam bem à guia — eram reflexo do ambiente, não da natureza deles.”
A cadela grávida, batizada de Gladys, foi levada inicialmente por um voluntário, que a acomodou em ambiente interno antes de transferi-la à sede da Animal Rescue Corps. Dentro de poucos dias, Gladys deu à luz nove filhotes saudáveis em um espaço limpo e protegido — um alívio para todos. “Sempre fico grato quando uma mãe pode parir em segurança. Filhotes nascendo no chão frio correm alto risco de doenças”, afirma Woodard.
Muitos cães adultos apresentavam sinais de negligência prolongada: parasitas, problemas dentários e infestações de pulgas e carrapatos. Alguns estavam com giárdia e teste positivo para dirofilariose (verme do coração). Todos já receberam tratamento veterinário inicial.
No total, a Animal Rescue Corps abriga hoje 18 cães adultos e nove filhotes, além de outros animais, totalizando cerca de 50 residentes. A organização trabalha em parceria com abrigos no Meio-Oeste e Nordeste dos EUA, onde a demanda por adoções é maior.
“Em cidades como Chicago, Minnesota e Nova York, a castração é incentivada há décadas, gerando maior procura por adoção”, explica Woodard. “Isso acelera o processo de realocação.”
Os animais devem ser enviados em breve a organizações parceiras, com adoções previstas para as próximas semanas. Woodard ressalta que casos similares ocorrem em todos os estados, mas a diferença está na disponibilidade de recursos locais e em saber a quem recorrer. “Ver esses cães saírem da neve, agora quentinhos, seguros e a caminho de um lar é a verdadeira vitória.”

