
Molly Kochan e Nikki Boyer durante gravação do podcast Dying For Sex (Foto: Instagram)
Molly Kochan já havia travado uma árdua batalha contra o câncer de mama. O tratamento incluiu quimioterapia, radioterapia, uma mastectomia bilateral e cirurgias de reconstrução. Quando parecia que o pior havia passado, recebeu a notícia que ninguém deseja ouvir: a doença havia retornado com força devastadora, espalhando-se para os ossos, fígado e cérebro. O diagnóstico era terminal.
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Ao compartilhar essa informação com seu marido em 2015, Molly não encontrou o apoio que esperava. Embora ele a tivesse acompanhado na primeira luta contra a doença, a conexão emocional e sexual entre eles já estava seriamente desgastada.
Diante da gravidade da situação, a resposta dele foi redirecionar a conversa para seus próprios problemas triviais. Segundo Molly relatou mais tarde, a frase que marcou o fim do casamento foi: “Podemos voltar agora ao motivo de eu estar tão bravo?”.
A reação do marido foi o ponto de ruptura. Molly decidiu que não passaria seus últimos dias em um relacionamento vazio. Ela o deixou imediatamente e escolheu um caminho pouco convencional para lidar com a proximidade da morte. Molly decidiu explorar sua sexualidade de forma intensa e aberta. Essa trajetória se tornou a base para o podcast Dying For Sex, criado por ela em parceria com sua amiga próxima, Nikki Boyer.
A história de Molly ganhou tamanha notoriedade que foi adaptada para uma série estrelada pela atriz indicada ao Oscar, Michelle Williams. Durante o tempo que lhe restava, ela buscou experiências que haviam sido negligenciadas durante os anos de casamento. Até sua morte, em março de 2019, Molly teve encontros sexuais com 188 homens. Ela utilizava esse processo como uma forma de retomar o controle sobre o próprio corpo, que havia sido tão castigado pela medicina e pela doença.
Enquanto vivia essa fase de exploração, Molly mantinha um blog anônimo intitulado Everything Leads to This. Ela explicou que gostava de não ser identificada apenas pela sua doença. Para ela, era libertador passar pelo tratamento sem que as pessoas a olhassem com piedade ou tristeza. Ela escreveu: “Eu gostava de passar pelo tratamento e nunca ter pessoas me perguntando como eu estava me sentindo, como se eu fosse mais frágil do que elas”.
Manter o segredo sobre sua condição de saúde tornou-se um desafio, mas Molly preferia isso a lidar com reações desconfortáveis de conhecidos. Ela afirmava que, por navegar naquela situação há algum tempo, já sabia exatamente o que era útil para ela e o que não era. Molly notou que muitos amigos entravam em contato após saberem do diagnóstico, mas poucos faziam o esforço real de encontrá-la pessoalmente.
Pouco antes de falecer, Molly preparou uma mensagem final que foi publicada postumamente. O texto tinha um título direto: “Eu morri”. Nele, ela evitou dar conselhos ou lições de moral sobre a vida. Molly escreveu: “Eu não tenho esse tipo de lições de vida para compartilhar. Eu sei o que fiz no fim da minha vida. Eu sei o que me trouxe alegria. Mas minha lista certamente não afetaria você”.
Ela descreveu a percepção de que as pessoas agem de acordo com suas próprias vontades, independentemente do que deveriam fazer. Essa constatação trouxe para ela um sentimento de liberdade. Molly mencionou que não se sentia obrigada a realizar grandes viagens ou ser produtiva. Ela registrou: “Isso não foi libertador? Eu não precisei comprar passagens para Bora Bora, eu podia passar dias na cama, mesmo que eu quisesse querer ser produtiva”.


