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David Gross prevê possível colapso da humanidade em 35 anos

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Cenário apocalíptico simboliza alerta de extinção humana em 2061, aponta Nobelista (Foto: Instagram)

O físico David Gross, laureado com o Prêmio Nobel de Física em 2004, apresentou uma visão preocupante sobre o futuro da civilização humana. Em um contexto global de crescentes instabilidades geopolíticas, Gross sugere que a humanidade pode enfrentar sua extinção em pouco mais de três décadas.

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O especialista destaca que o perigo de um conflito nuclear é agora mais real do que era no início deste século, em função de conflitos na Europa, tensões no Oriente Médio e a instabilidade das lideranças políticas mundiais.

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Durante uma entrevista à Live Science, Gross lembrou que, mesmo após o fim da Guerra Fria, quando ainda existiam tratados de controle de armas estratégicas, as estimativas apontavam para uma chance de 1% de guerra nuclear a cada ano.

Hoje, o cenário é diferente. “Eu sinto que não é uma estimativa precisa, mas as chances são mais provavelmente de 2%. Então, isso é uma chance em 50 a cada ano”, afirmou o físico. Com esse raciocínio aplicado ao contexto atual, a probabilidade de sobrevivência a longo prazo diminui consideravelmente.

O prazo de 35 anos
O cálculo de Gross sugere um tempo limitado para a sociedade moderna. Ao projetar as chances acumuladas de um desastre em grande escala, ele foi direto em sua análise sobre o futuro das gerações atuais. “Atualmente, gasto parte do meu tempo tentando dizer às pessoas que as chances de vocês viverem mais 50 anos são muito pequenas. Devido ao perigo de guerra nuclear, vocês têm cerca de 35 anos”, declarou o Nobelista. Esta contagem regressiva situaria o colapso da humanidade por volta de 2061.

A visão de Gross é reforçada pelo desaparecimento gradual de normas internacionais e tratados que antes garantiam certa estabilidade entre as potências. Ele observa que a situação global se deteriorou visivelmente nas últimas três décadas. Para o físico, a fragilidade das relações diplomáticas contemporâneas é um fator determinante para o aumento da insegurança coletiva. “Os acordos, as normas entre os países, estão todos desmoronando”, acrescentou.

A influência da inteligência artificial
Além do arsenal atômico tradicional, o avanço tecnológico introduz novos riscos que Gross considera imprevisíveis. O desenvolvimento de armas automatizadas e a integração de sistemas de Inteligência Artificial (IA) no controle desses dispositivos aceleram o processo de tomada de decisão, reduzindo o tempo de reação humana e aumentando a margem para erros catastróficos. O físico ressalta que a velocidade da IA tornará difícil resistir à sua implementação em sistemas de defesa.

O problema central, segundo ele, está na confiabilidade dessas máquinas. “Se você brinca com IA, sabe que ela às vezes alucina”, alertou Gross. No contexto de armamentos pesados, uma alucinação digital ou um erro de processamento pode desencadear uma resposta militar sem volta. “As armas estão ficando mais malucas. A automação, e talvez até a IA, estarão no controle desses instrumentos em breve”, disse ele.

Complementando essa visão técnica, Melissa Parke, diretora executiva da ICAN, comentou sobre o Relógio do Juízo Final, que este ano foi ajustado para 85 segundos para a meia-noite. “O Relógio do Juízo Final não é uma previsão, é um aviso. Armas nucleares, guerras da Ucrânia a Gaza, a crise climática e tecnologias fora de controle são todas partes do problema”, afirmou Parke. Ela pontuou que esses riscos são criações humanas e mencionou o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares como uma tentativa de mudar a direção atual.

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