Uma decisão da nova direção do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) gerou repercussão após a promoção de uma servidora que participou da análise de acordos posteriormente associados ao escândalo dos descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, a presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, promoveu Michelli Manieri para o cargo de coordenadora-geral de atendimento do instituto.
Michelli coordenou o Grupo de Trabalho responsável pela fiscalização de acordos para descontos de mensalidades associativas em benefícios previdenciários.
Durante sua atuação, ela participou de pareceres que apontaram viabilidade técnica para a assinatura de acordos com entidades como a Ambec (Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos) e a AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil).
As duas organizações foram posteriormente alvo de questionamentos em investigações relacionadas a descontos realizados em benefícios de aposentados.
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Após o escândalo vir à tona, Michelli perdeu o cargo de confiança que ocupava na estrutura do instituto. Agora, com a mudança na administração do órgão, ela foi nomeada para uma função considerada ainda mais relevante.
Como coordenadora-geral de atendimento, passou a ser responsável pelo funcionamento das agências do INSS em todo o país, além da coordenação de mutirões, distribuição de recursos e gestão do orçamento operacional da área de atendimento.
O nome da servidora também foi citado em relatório paralelo produzido pela CPMI do INSS. O documento apontou que estudos e notas técnicas assinados por ela concluíram pela viabilidade operacional de entidades que posteriormente passaram a ser questionadas pelas autoridades.
Segundo relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, algumas dessas associações registraram números considerados atípicos de filiações e inconsistências em documentos de adesão.
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Em nota enviada à Folha, o INSS afirmou que todos os servidores de carreira nomeados para cargos de confiança passaram por verificações internas, além de análises da CGU e do governo federal.
O órgão destacou que não existem penalidades vigentes nem procedimentos acusatórios em andamento contra a servidora. “Não há, portanto, qualquer impedimento ou irregularidade para a nomeação”, informou o instituto.



