A recente alteração no contorno facial de Vini Jr. reacendeu um debate que vai além da estética: até que ponto a harmonização facial pode corrigir questões estruturais do rosto?
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O jogador, que passou por um procedimento para melhorar a definição do queixo, voltou a ser tema nas redes sociais. No entanto, especialistas alertam que a respiração pela boca não é solucionada com preenchimentos faciais.
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Para o cirurgião plástico facial e especialista em rinoplastia Guilherme Scheibel, a harmonização pode oferecer um ganho estético significativo, mas não aborda a causa dos problemas respiratórios.
“A harmonização melhora o contorno e a projeção do queixo, o que pode deixar o rosto mais equilibrado visualmente. Contudo, se o paciente tem dificuldade para respirar pelo nariz, o procedimento não corrige essa alteração funcional”, explicou.
A respiração bucal crônica pode estar ligada a desvio de septo, rinite, aumento dos cornetos nasais e outras condições que dificultam a passagem do ar. Com o tempo, esse padrão respiratório pode afetar a musculatura da face, a posição da língua e até a forma como o rosto se desenvolve e se mantém ao longo da vida adulta.
Segundo o médico, muitos pacientes buscam procedimentos faciais em busca de um rosto mais harmônico sem perceber que a principal alteração está relacionada à função respiratória.
“Quando a pessoa respira pela boca, há uma adaptação muscular constante. O rosto pode parecer mais alongado, o queixo menos projetado e os lábios frequentemente entreabertos. O preenchimento pode camuflar parte disso, mas não elimina a origem da alteração”, afirmou.
O especialista destacou ainda que sinais como dormir de boca aberta, roncar, acordar com a boca seca e sentir cansaço frequente devem ser investigados por um profissional.
Nos casos em que há obstrução nasal, a abordagem mais adequada costuma envolver avaliação otorrinolaringológica e, em alguns pacientes, rinoplastia funcional associada à correção do septo nasal.
“O nariz tem uma função respiratória essencial. A rinoplastia funcional busca melhorar a passagem do ar e devolver uma respiração mais eficiente, mantendo a estética natural do rosto. Quando o paciente passa a respirar melhor, ele costuma relatar melhora do sono, da disposição e da qualidade de vida”, observou Scheibel.
O médico lembrou também que o tratamento pode exigir acompanhamento multidisciplinar, com ortodontista e fonoaudiólogo, dependendo da causa da respiração bucal.
A mudança estética de Vini Jr. pode ter contribuído para valorizar os traços faciais e aumentar a autoestima, mas também ajuda a levantar uma discussão importante: beleza e função precisam caminhar juntas.
“Procedimentos estéticos têm seu valor e podem trazer benefícios emocionais, mas respirar bem é uma necessidade básica do organismo. Quando existe uma dificuldade respiratória persistente, o mais importante é investigar a causa e tratar o problema de forma adequada”, concluiu.
A recomendação dos especialistas é que pacientes interessados em harmonização facial aproveitem a consulta para avaliar também a saúde respiratória. Em muitos casos, corrigir a função nasal é o que permite alcançar um resultado facial mais equilibrado e duradouro.


