Na última sexta-feira (7), a pesquisadora Tatiana Sampaio revelou, durante uma palestra na Rio Innovation Week, que sete pacientes que receberam a polilaminina faleceram. A informação também foi confirmada pelo portal “Metrópoles”. Os pacientes haviam recebido a substância por meio do chamado uso compassivo, modalidade que permite, em determinadas circunstâncias e com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o acesso a tratamentos que ainda estão em fase de testes.
Segundo o Laboratório Cristália, responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, nenhum dos óbitos teve, até o momento, relação comprovada com a substância. De acordo com a empresa, os seis primeiros casos foram analisados pela equipe de farmacovigilância, que não identificou ligação entre as mortes e o tratamento. A causa do sétimo óbito, ocorrido na quinta-feira (6), ainda está sendo investigada.
Ao todo, 106 pacientes com lesão total da medula espinhal já receberam a polilaminina em uso compassivo desde fevereiro, segundo informações divulgadas pelo laboratório. A polilaminina é uma substância produzida a partir de uma proteína encontrada na placenta humana. Ela está sendo estudada como uma possível alternativa para estimular a regeneração de células nervosas lesionadas em pessoas que sofreram traumas na medula espinhal.
Apesar da expectativa em torno da terapia, a polilaminina ainda está em fase de estudos e não é possível afirmar, neste momento, que ela seja capaz de recuperar movimentos ou regenerar uma medula lesionada.
Um dos principais desafios para avaliar a eficácia da substância é justamente diferenciar uma possível ação do tratamento de outros fatores envolvidos na recuperação. De acordo com especialistas, a classificação de uma lesão medular pode mudar rapidamente nos primeiros dias, além de alguns pacientes apresentarem melhora espontânea ou evolução após procedimentos médicos e fisioterapia.
Desde que a polilaminina ganhou grande repercussão na internet, em fevereiro, mais de 100 pessoas passaram a receber a substância por meio do uso compassivo. A procura aumentou depois que o relato de um paciente que teria recuperado movimentos após o tratamento viralizou nas redes sociais.
++Filhos de Perez Hilton fugiram de casa durante automutilação ao vivo
Segundo Tatiana Sampaio, outros 10 pacientes que receberam a polilaminina apresentaram evolução clínica. No entanto, ainda não é possível afirmar que a melhora tenha sido provocada pela substância. Os pacientes apresentaram recuperação de funções sensoriais ou motoras na região anal, mas não voltaram a andar.


