
O dia em que o terror virou espetáculo na Coreia do Norte (Foto: Instagram)
Timothy Cho cresceu na Coreia do Norte sob regras que não eram apenas rígidas, mas invisíveis, espalhadas pela vida como armadilhas. Desde cedo, ele aprendeu que até mesmo ler poderia ser perigoso. Seus pais, ambos professores do ensino médio, mantinham livros de história em casa. Para uma criança curiosa, era uma janela para o mundo; para um adulto sob vigilância, uma sentença.
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“Quando eu era jovem, adorava ler, e meu pai me alertou: ‘essas coisas que você está lendo, não compartilhe nada do que leu fora de casa’”, relatou Timothy ao LADbible Stories.
A advertência do pai não era exagerada. Na Coreia do Norte, informações que fogem da narrativa oficial podem colocar famílias inteiras sob suspeita. Timothy entendeu isso cedo, mas a real dimensão do medo se revelou quando, aos 11 anos, foi forçado a presenciar uma execução pública.
Uma infância marcada pelo medo
De acordo com Timothy, os moradores foram convocados para assistir à execução. Não era um evento escondido, mas sim algo para ser visto. Segundo seu relato, as crianças foram colocadas na frente da multidão.
“Todos fomos obrigados a ir ao local da execução pública para assistir. Centenas de pessoas, uma multidão, se reuniram. Foi dito especificamente que todas as crianças deveriam estar à frente da multidão, crianças”, afirmou.
O homem executado, conforme Timothy, estava amarrado a um poste. Seu crime teria sido ajudar três mulheres norte-coreanas a cruzar a fronteira para a China.
“E o homem amarrado ao poste era considerado criminoso porque ajudou, seu crime foi ajudar três mulheres norte-coreanas a cruzar a fronteira para a China.”
Timothy descreveu a execução como planejada para causar terror. Três policiais se aproximaram, cada um com uma arma. Ele afirmou que todos estavam armados com AK-47 e que cada policial tinha três balas.
“Então, três policiais vieram de uma distância bem curta, cada um tinha uma, como se chama, AK-47, e cada policial tinha três balas”, relatou.
A fuga e a busca por liberdade
Em algumas execuções por pelotão de fuzilamento, há casos em que um dos atiradores recebe munição de festim, para que ninguém saiba exatamente quem disparou o tiro fatal. No episódio descrito por Timothy, segundo ele, não havia essa ambiguidade. Os disparos teriam sido direcionados para partes específicas do corpo.
“O primeiro tiro foi no olho”, disse. “Os olhos estavam cobertos e a bala fez os olhos saltarem.”
“E os segundos três tiros foram no umbigo, onde a barriga também estava amarrada, e o terceiro foi no joelho.”
Depois dos tiros, Timothy afirmou que o corpo caiu em uma cova já preparada. Havia algo embaixo para envolver o cadáver rapidamente.
“Então o corpo caiu em um buraco que estava preparado, e embaixo havia algo que podia envolver o corpo morto”, disse. “Aquilo foi uma execução pública.”
A vida de Timothy já havia sido despedaçada antes disso. Quando ele tinha 9 anos, seus pais fugiram da Coreia do Norte após serem alertados de que estavam sendo perseguidos politicamente. Ele ficou para trás, passou a viver nas ruas e enfrentou a fome.
Mais tarde, conseguiu escapar do país, mas foi capturado pelo exército chinês. Segundo seu relato, sofreu tortura por ter desertado. Mesmo assim, conseguiu fugir uma segunda vez. Foi nessa segunda fuga que finalmente encontrou liberdade fora do regime que marcou sua infância com silêncio, fome e medo.


