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Brasil bate recorde e chega a 6,3 mil empresas em recuperação judicial

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O número de empresas brasileiras em recuperação judicial chegou ao maior patamar da série histórica do Monitor RGF-BIZDOC, segundo informações da Veja. Ao final de junho de 2026, 6.341 companhias estavam nessa situação na base restrita do levantamento, que não considera microempresas, filiais e negócios inativos.

O estoque de empresas em recuperação judicial cresceu 6,2% no primeiro semestre de 2026. Apesar do avanço, o ritmo foi menor que o registrado no mesmo período de 2025, quando a alta chegou a 7,3%. Considerando a base completa, que reúne todos os CNPJs com registro de recuperação judicial, o crescimento foi de 8%.

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O cenário também envolve grandes companhias. Entre os casos citados estão Oi e Braskem, que enfrentam diferentes processos de deterioração financeira. A Braskem passou a preparar uma recuperação extrajudicial depois de buscar proteção contra credores. A empresa é pressionada por uma combinação de dívida elevada, crise no setor petroquímico e problemas específicos de suas operações.

A alavancagem da Braskem, medida pela relação entre dívida líquida e geração de caixa, passou de 0,94 vez em 2021 para 14,74 vezes em 2025. No primeiro trimestre de 2026, chegou a 16,81 vezes. A dívida líquida da companhia é estimada em cerca de US$ 9,4 bilhões.

Além do endividamento em dólar, a empresa enfrenta pressão relacionada à dependência da nafta, aos passivos associados ao afundamento do solo em Maceió e às dificuldades de sua operação no México. O excesso de capacidade produtiva no mercado global de petroquímicos reduziu as margens de grandes grupos do setor. Entre as principais empresas analisadas pela RGF-BIZDOC, a Braskem foi a única a chegar ao default e à proteção contra credores.

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Recuperações avançam entre empresas menores

O levantamento aponta uma mudança no perfil das empresas que entram em processos de recuperação. Enquanto o crescimento desacelera entre companhias grandes e muito grandes, o movimento ganha força entre micro, pequenas e médias empresas.

As falências também voltaram a aumentar em 2026, depois de permanecerem praticamente estáveis no ano anterior. O cenário ocorre em meio a juros elevados, crédito mais caro e dificuldades para renegociar dívidas acumuladas.

Entre as grandes empresas, outro mecanismo vem ganhando espaço: a recuperação extrajudicial. O modelo permite a negociação de dívidas diretamente com determinados grupos de credores e tende a ser mais ágil e flexível, embora ofereça uma proteção menos ampla do que a recuperação judicial. Raízen, GPA e Oncoclínicas estão entre os casos destacados pelo Monitor.

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Agronegócio concentra avanço

Entre os setores analisados, o agronegócio apresentou a pior evolução financeira. O Monitor registrou 1.263 empresas do segmento em recuperação judicial, aumento de 21,4% nos primeiros seis meses do ano e de 66% em 12 meses. Segundo o levantamento, uma em cada cinco empresas em recuperação judicial pertence ao agronegócio ou à cadeia ligada ao setor.

A construção civil também apresenta um número elevado de companhias em dificuldade. Ao final de junho, havia 1.105 CNPJs do setor em recuperação judicial, alta de 5,7% em 12 meses. O segmento contabilizava ainda 179 empresas falidas, sendo 94 delas ligadas à construção de edifícios.

O levantamento indica diferenças entre os tipos de empresas do setor. Incorporadoras recorrem à recuperação judicial para preservar imóveis e projetos, enquanto empreiteiras, que trabalham com margens mais estreitas, aparecem com maior frequência entre os casos de falência.

Entre os exemplos estão a Rossi Residencial, que teve o plano de recuperação aprovado em 2026, e a PDG Realty, cuja reestruturação envolve um passivo estimado em R$ 5,7 bilhões.

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