Já imaginou ser entrevistada por uma jornalista que te atacou nas redes sociais? Pois foi exatamente isso que aconteceu com Paula Lavigne, esposa de Caetano Veloso, anos atrás.
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O escritor Tom Cardoso revelou na quarta-feira (2/9) a confusão entre a produtora e a jornalista Barbara Gancia, enquanto lança um livro sobre os bastidores do jornalismo.
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“Em 2015, fui ao Rio entrevistar Paula Lavigne para o Valor. Cheguei à Uns Produções e a encontrei eufórica, gritando: ‘Peguei aquela filha da puta! Vaca!’. Ainda vivíamos o rescaldo da polêmica sobre biografias não autorizadas”, começou.
O autor continuou: “Paulinha liderava o grupo Procure Saber, que defendia a autorização prévia para essas obras. Após participar do Programa Saia Justa, defendendo o coletivo, Paulinha começou a receber ameaças de uma conta no Twitter, assinada como Maiga SQN: ‘Seus dias estão contados, Paula Lavigne sem noção!’, ‘Falta pouco. Você tá errada, boba. Forevernever. Hihihihi!’”.
Paula decidiu procurar a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática. Os investigadores rastrearam o IP do computador e descobriram que as ameaças foram digitadas no computador de Marcela Thomaz Bastos. Marcela, filha do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, era casada com Barbara Gancia, uma das debatedoras do Saia Justa.
E prosseguiu: “Ou seja, Barbara era a autora dos ataques, digitados no computador da esposa. Abri a entrevista com essa história, descrevendo a cena da excitação de Paulinha pela descoberta, mas o editor do caderno disse que só publicaria se eu ouvisse o outro lado, ou seja, a Barbara Gancia”.
Logo depois, Tom Cardoso recordou o contato com a jornalista: “Eu tinha telefone dela e liguei. Ela me conhecia: ‘Fala, Tom. Tô em Itacaré, na Bahia, relaxada. Não vai me encher o saco, por favor’. Expliquei o motivo da ligação. Barbara ficou muda: ‘Taí, Bárbara?’. ‘Tô, sim. Tava pensando na minha resposta. Anota aí:’. ‘Pode falar’. ‘Vai tomar no meio do seu cu’”.
Ainda na publicação, o escritor comentou sobre a reação do chefe: “Liguei para o editor, carreirista profissional e, portanto, um grande cagão: ‘Tom, não podemos publicar’. ‘Mas eu ouvi o outro lado!’. ‘Ela respondeu com um palavrão e não usamos palavrões nas nossas matérias’”.
No fim, ele disparou: “Quase mandei o editor chupar uma rola, mas vivia dos freelas do Valor e o André, com dois anos, tomava três litros de Sustagen por dia. Essa história está no meu livro Vida de Gado – 30 anos pastando no jornalismo. Quem quiser comprar direto com o autor, ajuda o escriba (André, com 13 anos, Enzo ducaralho)”.


