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Ex-agente de Israel cruzou a fronteira com advogado antes da saída de Flávio

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Um israelense apontado como ex-oficial do Mossad cruzou a fronteira entre Brasil e Argentina em uma van com um advogado que já defendeu Jair Bolsonaro. O veículo passou pelo controle migratório minutos antes de outra van ligada à saída de Flávio Bolsonaro e da família. (Foto: Instagram)

Um israelense apontado como ex-oficial do Mossad, serviço de inteligência de Israel, atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina acompanhado de um advogado que defendeu Jair Bolsonaro, na noite em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o país.

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Menachem Booky Halevy estava em uma van com o advogado Roberto Jorge Alexandre. O veículo passou pelo controle de fronteira cerca de sete minutos antes de outra van, à qual foram vinculados os registros de entrada de Flávio, de sua mulher, Fernanda, e das duas filhas do casal.

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A informação foi divulgada pelo Fantástico neste domingo (1º/11), com base em documentos migratórios argentinos.

Neri Luiz Dala Corte, motorista da van que transportava Menachem e Roberto, contou que foi contratado para levar dois passageiros até o aeroporto argentino de Puerto Iguazú. O embarque estava previsto em um posto de gasolina de Foz do Iguaçu (PR). Flávio e a família partiram desse aeroporto rumo a Miami, nos Estados Unidos.

Flávio saiu do Brasil na terça-feira (27/10), dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia proibido o senador de deixar o Brasil e ordenado que entregasse os passaportes à Polícia Federal.

REGISTROS DE ENTRADA E APOIO DE WILLER

Segundo os documentos apresentados pelo Fantástico, o nome de Flávio foi registrado três vezes no sistema de imigração argentino naquela noite, sempre associado à mesma van. Do primeiro ao último lançamento, transcorreram 34 minutos.

O registro que continuou válido foi feito às 22h37, com o passaporte italiano. Os lançamentos posteriores — às 22h40, usando a carteira de motorista, e às 23h11, com o passaporte brasileiro — foram cancelados.

A passagem pela fronteira indicada nos documentos não esclarece todas as dúvidas sobre o trajeto do senador. A principal hipótese investigada é que ele tenha viajado de avião até Puerto Iguazú e ficado a bordo, na pista, por horas, à espera da família.

Nessa reconstrução, a viagem teria começado às 5h05 de terça, em Brasília, a bordo de um jato ligado ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. O avião teria pousado em San Fernando, na região de Buenos Aires, às 8h40. Um segundo voo particular completaria o percurso até Puerto Iguazú.

Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento ligadas a Willer. Nesse inquérito, Moraes determinou que o senador entregasse os passaportes e o proibiu de sair do Brasil.

Entre os elementos analisados pela PF estão e-mails que indicariam que Flávio tinha acesso à conta bancária de uma empresa de Willer, além do pagamento de voos do senador por outra companhia ligada ao advogado. Os dois negam irregularidades e dizem manter apenas uma relação de amizade.

À TV Globo, a assessoria de Willer Tomaz negou que Flávio ou seus familiares tenham usado um avião dele ou de empresas ligadas à família para deixar o Brasil.

A declaração diverge da informação publicada pelo jornal argentino Clarín na sexta (30/10). De acordo com o jornal, a família teria percorrido mais de 1,6 mil quilômetros por estrada depois que o proprietário de uma aeronave se recusou a fazer o voo. A Justiça argentina determinou que fossem preservadas as imagens das câmeras da fronteira e do aeroporto.

A Baires Fly, empresa argentina que levou a família aos Estados Unidos, recebeu US$ 150 mil pelo transporte, segundo seu proprietário, Luis Grande.

Em entrevista à agência de notícias France-Presse, ele afirmou que o voo foi pago por um intermediário que trabalha no setor de aviação nos Estados Unidos. A transferência teria sido feita de uma conta empresarial americana para um banco argentino.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o governo dos Estados Unidos tenha participado dos preparativos para a saída de Flávio.

Tags: Argentina, Estados Unidos (EUA), Flávio Bolsonaro, Israel, Jair Bolsonaro

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